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Vamos continuar a estudar o artigo “Corpo e Alma”. Antes, nós tínhamos discutido as três teorias de corpo e alma:
- a teoria da fé, que diz que há somente a alma;
- a teoria do dualismo, que diz que há corpo e alma, e
- a teoria materialista, que diz que há somente o corpo.
Agora o Baal haSulam tentará nos explicar como a Ciência da Kabbalah entende o assunto. Isto é difícil de explicar, não porque haja algo que o Baal haSulam não soubesse, mas porque nós estamos muito distanciados desses conceitos.
O Revelado e o Oculto.
A ciência moderna já chegou ao entendimento de que não há absolutamente nada na realidade que nos cerca.
Nós já falamos freqüentemente sobre o fato de que a única coisa que existe à nossa volta é a simples luz Superior, que não contém nada senão a única propriedade do Criador: doação, ou luz. Nós fomos criados por essa luz com a ajuda de dez propriedades chamadas ‘Sefirot’, ou ‘Bechinot’. Dependendo do quanto nós sejamos capazes de controlar essas propriedades, com o propósito de nos tornarmos o mesmo que a luz, nós perceberemos nossos estados como mais ou menos equivalentes a ela.
Os estados que nós percebemos (cada pessoa tem suas próprias percepções) são chamados ‘o mundo da pessoa’. Como nossos estados mudam constantemente, devido ao fato de que nossos desejos mudam constantemente, resulta que não há nada óbvio ou absoluto.
A Kabbalah sempre proibiu teorizar e o uso de deduções teóricas, mesmo no nível de conjeturas.
É por isso que a Kabbalah sempre sustentou que somente pode haver uma espécie de ciência: aquela baseada no experimento, ou seja, uma que confie somente no que foi posto em prática e comprovado por repetidos experimentos, e que inclua o conjunto desses experimentos em si mesma. Ou seja, ela cria um conjunto de conhecimento que tenha sido checado por experimentos. Nesse caso o conhecimento é autêntico e merece confiança; nesse caso, isto é uma ciência.
Imaginem que nós de repente nos encontremos em algum estado desconhecido; de repente, nós vemos que estamos em um mundo completamente diferente. Nós não temos olhos ou ouvidos, mas, por exemplo, nós temos apenas mãos. Nós começamos a sentir o espaço à nossa volta e a captar informação em completa escuridão. Colhemos fatos, e a partir desses fatos, criamos uma ciência sobre o mundo em que estamos.
É exatamente isto que diz a Kabbalah: ‘Vocês estão em um mundo completamente desconhecido. Façam deduções sobre ele somente com base em pura pesquisa prática e dados’. É por isso que os cientistas-Kabbalistas separam a ciência sobre o nosso mundo da ciência sobre o mundo superior.
Os cientistas-Kabbalistas dividiram a ciência em duas partes: a ciência revelada e a ciência oculta.
A parte revelada da ciência inclui tudo o que nós entendemos como simples compreensão, ou seja, o estudo é construído sobre uma base prática, sem nenhuma teorização. Ele se baseia somente em dados práticos e experimentados, assim como as deduções que vêm dele (deduções simples, em vez de conjeturas fantasiosas).
A isto se chama a parte revelada da ciência. Ou seja, eu sempre sei que todos os dados foram adquiridos com base em experimentos práticos, que foram efetuados por cientistas que estavam convencidos de sua correção. É assim que esses dados me foram passados. A parte oculta da ciência inclui o conhecimento que nós atingimos por nós mesmos ou que nós atingimos através de fontes confiáveis, mas numa medida insuficiente para a análise pelo senso comum e para a simples compreensão. Ou seja:
- Nós sabemos isso, mas nosso conhecimento é insuficiente ou impreciso;
- As peças de informação estão separadas, e não postas juntas;
- Os dados não são completamente confiáveis: eu ouvi algo, mas eu não compreendo e não sei nada exatamente;
- Não foram feitas experiências suficientes para incluir todos os casos possíveis, e assim por diante.
Os dados são considerados incompletos se não foram adquiridos como resultado de ação baseada em experimentos infalíveis, ou se não foram polidos corretamente, ou se me alcançaram de forma distorcida (não importa onde no caminho a informação tenha-se deformado: no começo, no meio ou no fim, dá no mesmo, esse conhecimento me alcançou de uma forma não autêntica).
Mesmo se o conhecimento for apenas em parte não autêntico, ele já não poderá mais ser considerado a ciência revelada. Eu não posso agir clara, certa e sonoramente de acordo com ele. Nesse caso, essa parte é chamada ‘ciência oculta’.
Porém, por que isto ainda é chamado ‘ciência’, se está oculto? – Porque a informação foi adquirida com base em pesquisa experimental. Possivelmente, ela não foi conscienciosamente lapidada, foi passada a mim incorretamente, ou foi insuficiente na quantidade ou qualidade de experimentos. Ou seja, existe uma espécie de defeito, mas mesmo assim, isso é uma parte da ciência. Porém essa parte da ciência é chamada ‘oculta’.
Vocês podem imaginar quantas ciências ocultas existem em nosso mundo? – Uma grande quantidade. E nós sabemos muita coisa sobre o homem? Por exemplo, há informação sobre o homem na ciência médica que é revelada, mas também há informação que está oculta. O mesmo acontece com qualquer um de nossos órgãos. Mais ainda, qualquer coisa que se refira à nossa parte espiritual, ou à alma: tudo isso está oculto.
Conseqüentemente, as partes revelada e oculta da ciência são determinadas com relação à autenticidade da informação, e não com relação à divisão em partes espiritual e material.
A parte oculta da ciência é temporariamente aceita como ‘simples fé’ e nunca é pesquisada, porque nesse caso a pesquisa não será construída sobre uma base prática, mas sim sobre fantasias teóricas.
Então, se eu não tenho uma quantidade suficiente de dados práticos, eu não tenho o direito de pesquisar. Eu preciso esperar até que eu tenha acumulado o completo volume dos dados, e somente então eu serei capaz de fazer cálculos, equações, fórmulas, dependências e assim por diante. Porém, se eu não tiver uma quantidade suficiente de dados práticos, eu nunca terei o direito de combiná-los e de reuni-los numa ciência, porque nesse caso minhas deduções não serão autênticas. Eu vou suprir informações desconhecidas com diversas fantasias, e isso se tornará mais filosofia que ciência.
Vocês podem ver em que extensão a Kabbalah exige realização prática de nossa parte, e baseia tudo o mais somente nisto. Eu não posso adicionar nenhuma percentagem de conjetura. Se eu tiver 99% de dados absolutamente autênticos, mas faltar um por cento, isso significa que todos esses dados são por enquanto considerados uma ciência oculta para mim; ela é insuficiente para eu analisar e então, não é autêntica. Não há nenhum modo pelo qual eu possa suprir o um por cento faltante; a Kabbalah me proíbe de fazer isto.
Porém, os nomes ‘parte revelada’ e ‘parte oculta’ da ciência não se referem a formas específicas de conhecimento, mas sim à realização da pessoa. Ou seja, à relação da pessoa com o assunto. O conhecimento que a pessoa tenha revelado em sua experiência realista e prática é chamado ‘revelado’. Porém, o conhecimento que ainda não atingiu esse grau de realização e autenticidade é definido como ‘oculto’.
Do que foi dito, segue que nunca houve, em nenhuma geração, uma pessoa que não possuísse as duas espécies de conhecimento, o revelado e o oculto.
Ninguém, nem mesmo a pessoa mais primitiva, possui alguma espécie de informação que seja absolutamente segura e que não tenha que fazer nada, adicionalmente, com relação a isto. Essa é a parte revelada da ciência para a pessoa, e também há muito que é semi-compreendido e semi-conhecido por ela, que é a parte oculta da ciência.
Por que nós chamamos nosso conhecimento e nossa revelação de ‘ciência’? Porque afinal, nós adquirimos nossa revelação no interior de nossos Kelim, na forma de Or Chochmah (Chochmah é conhecimento, revelação e percepção). Não há nada no universo (em mim e em tudo o que me cerca) que afinal não penetre a pessoa e torne-se revelado nela, ou em seus Kelim.
Tudo o que a pessoa percebe autenticamente, mesmo o que um pastor há dois mil anos percebia claramente e sabia precisamente, diretamente e com autenticidade absoluta de sua experiência, é chamado a parte revelada da sua ciência. Porém, o que quer que ele não atinja, mas que seja somente uma suposição (algo pode acontecer, ou não acontecer, e assim por diante) é chamado a parte oculta da sua ciência.
Assim, as partes oculta e revelada mudam de uma geração para a outra, com relação a todas as pessoas, e naturalmente, com relação à humanidade também. Essas são partes completamente obscuras de nosso conhecimento.
Pergunta: Então, nós não podemos usar nossa experiência passada para prever o futuro?
Sim e não. Obviamente, eu não posso ter certeza do futuro – por um lado. Por outro lado, por que então nós precisamos das ciências, por que nós precisamos da experiência passada, e por que nós fazemos milhares de experimentos, se nós não podemos utilizá-los para prever o futuro?
Eu só posso usar minha experiência passada com relação ao futuro, mas não quanto a ações específicas no futuro, porque o futuro significa um novo desejo.
Um novo nível é um novo desejo. Não está claro como trabalhar com isso; eu não sei previamente que há um nível mais alto diante de mim, nem o que ele quer de mim em meus novos desejos. Eu não sei nem entendo isso, porque tudo o que se contém ali é completamente novo.
O mesmo acontece com uma criança: cada dia é novo para ela. O que existiu ontem? Ela não lembra mais, e isso não é mais importante para ela. Tudo é tão novo para ela que não há nada do passado nisto. Nesse caso, o que ela pode tomar do passado? Ela pode tomar, do passado, sua relação com o futuro.
Do passado eu sei que minha próxima fase, seja como for, deverá ser tal que meu ‘Eu’, minha correção e o Criador virão a ser um único ponto. Em outras palavras, eu me fundirei completamente com o ‘AChaP’ do Superior, ou com a manifestação da realidade com relação a mim mesmo.
Em outras palavras, baseado no passado eu sei a metodologia geral da interação com o Superior. Isto é imutável, do mesmo modo como Ele é Bom ou Aquele que Distribui Bondade; e a cada vez eu preciso utilizar a mesma metodologia, mas em um nível diferente.
Porém, é claro, se nós não utilizarmos esse conhecimento do passado no futuro, então esse conhecimento será simplesmente desnecessário e a ciência será desnecessária também. Para que seria necessária a ciência?
Pergunta: Devo abrir espaço suficiente em mim, para adquirir alguma espécie de novos dados, dados adicionais, com base nos quais eu deverei agir?
Não somente eu devo deixar espaço suficiente, mas deixar 100% para isto. Eu estou pronto a aceitar qualquer informação, quaisquer condições; eu só sei que eu devo agir, daqui por diante, baseado nelas.
No livro ‘Shamati’ há um artigo que diz que se a pessoa acumula experiência em vários níveis do caminho espiritual, então ela já tem uma idéia prévia de como esses níveis são construídos – eles são todos de um tipo. Isto é, a relação da pessoa com o Criador nesses níveis deve ser a mesma, mas é baseada em condições diferentes.
A experiência, coletada nesses níveis para ir adiante, cada vez mais alto em cada nível, é chamada Torah. A Torah é especificamente esta experiência.
Porém, os nomes ‘parte revelada’ e ‘parte oculta’ da ciência não se referem a formas específicas de conhecimento, mas sim à compreensão da pessoa. O conhecimento que a pessoa revelou por experimentos realistas e práticos é chamado ‘revelado’. Porém, o conhecimento que ainda não atingiu esse nível de realização e autenticidade é definido como ‘oculto’.
Do que foi dito, segue-se que nunca houve, em nenhuma geração, uma pessoa que não possuísse essas duas espécies de conhecimento, o revelado e o oculto. Era permitido estudar e pesquisar a parte revelada, porque havia uma base realística para isso. Porém, quando à parte do conhecimento que estava oculta para a pessoa, até mesmo tentativas de pesquisar eram proibidas, porque a pessoa não tinha nenhuma base realística, necessária para desempenhar uma autêntica pesquisa. Isto é, nesse caso ela estaria usando fantasias teóricas e suplementos que não têm nenhuma base realística, prática ou experimental para dar suporte à pesquisa.
A proibição imposta ao uso de ciências comuns
Do mesmo modo, a Kabbalah considera proibido usar os dados das ciências comuns. Em vez disso, ela permite somente o uso do conhecimento que tenha sido provado empiricamente, isto é, o conhecimento de cuja atualidade e autenticidade nós não possamos duvidar.
Esta é a razão pela qual nós não podemos aceitar deduções relativas aos conceitos do corpo e da alma, que sejam resultantes das três teorias mencionadas acima: porque suas conclusões são baseadas em especulações religiosas. Não importa que uma das teorias não acredite na existência da alma. Isso também é religião: é uma crença de que não há alma.
O único conhecimento científico real sobre corpo e alma pode ser adquirido somente pelo uso da metodologia que é apresentada como Ciência da Kabbalah, porque ele é adquirido por meio da experiência, e mantido pela experiência; assim, não há razão para duvidar de sua autenticidade. É impossível adquirir essa espécie de conhecimento por qualquer outro meio, que seja por algum ‘modo espiritual’.
Levando em conta o que foi dito, podemos usar somente a terceira teoria, numa certa extensão; isto é, a teoria materialista, que lida exclusivamente com os assuntos do corpo. Nós podemos usar somente os dados dessa teoria, que foi provada e experimentada e é reconhecida universalmente como correta.
A Kabbalah proíbe todas as explicações lógicas das teorias
Na realidade, os Kabbalistas são materialistas e ateus. Na palestra na Universidade Estadual de Moscou, perguntaram-me: ‘Então, o senhor não acredita em Deus?’, e eu disse, ‘Não, eu sou um ateu rebelde’. Lá, está na moda ser um físico ultra-moderno, e um crente em Deus, acima disso. Isso é considerado ‘very hip’ (* algo como ‘uau’!).
Nós precisamos nos referir, a nós mesmos e à nossa existência, somente com base no que recebemos em nossas percepções. Como diz Engels, ‘a matéria é a realidade objetiva, que nos é dada através das percepções’. Isto é tudo!
De fato, é assim que precisa ser, porque todo o resto são fantasias do homem. Ninguém recebeu dons do alto, do Criador; ninguém subitamente teve uma revelação do modo como tudo é construído. Tudo é alcançado somente na medida de equivalência de forma. Se nós adquirirmos equivalência de forma com os outros níveis então nós os atingiremos realistamente, assim como o mundo real que nós percebemos em nosso estado atual. Então nós seremos capazes de discutir aqueles níveis do mesmo modo como fazemos quanto à nossa realidade. Se nós não percebemos algo, então nós não temos o direito de dizer coisa alguma sobre isto.
É por isso que a primeira teoria, que diz que existe somente a alma, e a segunda, que existe a alma e o corpo, não servem para ser discutidas. Elas são fantasia completa, criada pela imaginação do homem, porque a alma nunca se revestiu de matéria e nunca foi realistamente alcançada pelas pessoas, de modo que essa ciência fosse formulada.
A terceira teoria, materialista, diz ‘Não há alma, não há nada do outro lado. A única coisa que existe é o que eu consigo atingir, e o que eu não consigo atingir não existe’. Essa teoria é útil para nós, conforme a regra ‘Ein le Dayan, ela ma she Einar Ro-ot’ (o juiz não tem nada mais que o que seus olhos podem ver).
Com relação às exigências de estabelecimento dos limites de autenticidade, Kabbalah é a ciência mais rígida e mais precisa. Qualquer outra ciência, como a física, a química e a biologia, tem uma parte teórica que inclui tudo o que precede a análise inteligente: fantasias e suplementos que a pessoa criou com base em sua imaginação. Num extremo, tudo isso é um monte de sucata.
Stephen Hawking gastou trinta anos trabalhando em sua teoria dos ‘buracos negros’, e no fim essa teoria comprovou-se errada e precisou ser rejeitada. São trinta anos de trabalho por você, e por um cientista tão proeminente... Por que isso aconteceu? Porque suas especulações que não eram baseadas em dados derivados do experimento. Você pode querer perguntar, ‘O que mais nós poderíamos fazer?’. A pessoa não deve gastar tempo em algo que ela não possa determinar exatamente em suas percepções e instrumentos. Ela não deve suplementar os dados derivados do experimento com suas fantasias, e não deve erguer teorias. Como nós podemos fazer algo sem construir teorias? Como a pessoa pode viver sem isto?
Especificamente sem isso, a pessoa será capaz de viver corretamente, porque qualquer construção de teorias nos leva à confusão e ao gasto de uma quantidade ridícula de energia e de dinheiro para checar essas teorias. No fim, nós nos convencemos de que elas são incorretas, e construímos novas teorias, e isso não tem fim.
Pergunta: Qual é o processo correto para coletar dados? Como ele se constrói?
O processo correto para coletar dados significa que eu realizo meus experimentos e pesquisas na direção em que eu seja capaz de receber resultados autênticos.
O problema não é predizer, prever ou de alguma forma aproximar alguma coisa. A pessoa não pode viver sem antecipar o futuro. Ela tira uma pequena parte do futuro do presente. Sem experiência do passado, tudo está simplesmente fechado diante dela. Somente um animal existe desse modo, embora até mesmo o animal antecipe o futuro numa quantidade mínima – ‘Eu estou me movendo deste modo, eu espero comer lá, estou correndo atrás de alguma coisa’ e assim por diante.
Todos têm alguma mínima percepção do futuro, mas a pesquisa do futuro precisa ser puramente prática, isto é, deve haver uma coleção de informações práticas sobre o mundo. Se esse passo adiante não for prático, então eu não o farei. A Kabbalah me proíbe de fazê-lo, ou, para ser mais preciso, eu preciso checar se meus passos estão indo na direção do Criador.
O que significa ‘ir acumulando experiência constantemente e revelar o mundo’? Isso significa revelar constantemente o Criador. Se eu seguir precisamente a linha que me conecta a Ele, então todo o passo que eu der será absolutamente prático; não haverá nenhuma parte oculta, ou mesmo parcialmente oculta para mim. Tudo se revelará diante de mim.
Se eu estiver precisamente dirigido ao Criador, isso significa que todo passo que eu der será a pesquisa do universo em mim mesmo, na medida do encontro entre nossas propriedades. O universo torna-se revelado para mim na medida da equivalência de minhas propriedades com as qualidades de um nível específico. Tudo o que eu alcanço num dado experimento, num dado nível e numa dada Aviut, torna-se revelado para mim como uma nova realização e é 100% ciência revelada.
É por isso que, quando a Kabbalah diz que é proibido estudar a ciência oculta, isso compele a pessoa a dar passos somente na direção do Criador, porque qualquer ouro passo ao lado leva ao domínio em que sempre haverá algo ligeiramente revelado e algo oculto. A pesquisa mais confiável do universo é a equivalência ao Criador, ou tornar-se equivalente à propriedade de doação.
Pergunta: Se eu não percebo o Criador, então como eu posso me dirigir na direção dEle?
Não existe tal coisa. Nos níveis dos mundos o Criador Se revela como o AchaP do Superior, Em nosso pequeno nível, o Criador Se revela como o grupo à nossa volta, ou seja, nosso ambiente e sociedade.
É por isso que o Baal haSulam diz que a pessoa realiza o programa de seu desenvolvimento, a cada vez escolhendo para si uma sociedade que seja mais alta e mais equivalente ao Criador. Como ela sabe se isto é equivalente ao Criador? Somente baseada no conselho dos Kabbalistas. Isto é suficiente.
Pergunta: Quais são os critérios para a autenticidade do resultado?
Foi dito: ‘um juiz não tem nenhuma prova maior do que o que seus olhos podem ver’. O que significa ‘ver’? Ver é o nome da extrema realização, ou aquilo que eu considero absolutamente autêntico; e então eu e outros checamos e checamos isso novamente, e então confirmamos sua autenticidade. Isso é assim em qualquer ciência comum.
Nós agimos de um modo completamente materialista. Se eu revelo uma lei ou um fenômeno que se incorporou em mim várias vezes, então eu falo sobre isso, eu passo isso para os outros, e então eles serão capazes de percorrer a mesma coisa, de ver e de se convencerem da mesma coisa. No fim, isso se torna um fato.
Isto é costumeiro para qualquer ciência. Antes de Einstein, existia uma teoria. Depois de Einstein, essa teoria mudou. Isso não aconteceu imediatamente: ele a desenvolveu, acrescentou idéias, e então, as pessoas realizaram experimentos sobre isto e acabaram se convencendo de sua precisão, e então, a aceitaram como fato.
Pergunta: As pessoas costumavam considerar o átomo indivisível, e depois, consideraram o elétron indivisível, e tiraram conclusões baseadas nisto. É possível que as conclusões de um Kabbalista também dependam da medida de sua tela?
Obviamente, sempre que nós fazemos experimentos, sua autenticidade depende da força de nossos instrumentos: do tamanho da tela e da Aviut, ou do tamanho do desejo de receber (Ratzon Lekabel) no qual nós percebemos esse fenômeno.
O resultado mais autêntico para o experimento é o Fim da Correção, quando tudo está completamente revelado. Este é o experimento mais autêntico e realista. Todos os resultados baseados em experimentos anteriores são parciais. Eles são autênticos na medida em que nós tenhamos adquirido revelação. Eles não são autênticos na medida em que o ocultamento exista. É por isso que a Ciência da Kabbalah diz que realização consiste em duas partes: a que se tornou revelada no interior da pessoa, ou o Toch do Partzuf, e a que ainda não se tornou revelada – o Sof do Partzuf.
Se eu criar uma predisposição ou uma base interior a mim mesmo, e se eu me preparar corretamente com a ajuda de instrumentos (o instrumento é a tela), então uma parte adicional de meu material tornar-se-á revelada para mim, e quando isto for corrigido, eu poderei discernir aí uma revelação maior da natureza. Isto é, a parte maior para mim será a ciência revelada, e a parte menor permanecerá oculta, e assim por diante.
Não há nada novo aqui. Isto, que foi revelado no mundo da Infinidade e então se tornou oculto como resultado da Restrição, é o que agora nós temos que revelar por nós mesmos. A cada vez, e em cada nível, há uma parte que nós revelamos e uma parte que nós não revelamos. Isso é chamado a ciência da revelação do Criador.
Pergunta: Onde está a ‘fé acima da razão’ aqui?
A fé acima da razão não diz que nós temos que tomar em consideração aquilo que nós não percebemos, e aceitar isto como um fato autêntico. De fato, a Kabbalah proíbe isto absolutamente. Somente a religião age assim.
‘Fé acima da razão’ é o nome da metodologia de realização em que eu ajo com a ajuda de uma tela, apesar do meu desejo; é quando eu tenho mais luz Chassadim do que luz Chochmah, ou quando meu propósito é doar, mais do que receber, ou receber conhecimento. Fé acima da razão significa que eu dôo. Enquanto faço isso eu recebo conhecimento somente para doar. Minha satisfação é em prol de doar, e é isso que significa dizer que a fé está acima da razão, para mim.
Conseqüentemente, fé acima da razão fala da construção do Kli da pessoa, e isso não significa acreditar em algo com base na fé, tal como quando me dizem algo e eu acredito nisto. Seria como você não ter certeza de alguma coisa, mas se relacionar com isso como se fosse certo, até mesmo com uma grande certeza. Isso significa que você tem fé, ou que você acredita. Essa espécie de relacionamento com um fato que não se manifesta aparentemente na natureza, é chamada, em nosso mundo, de fé. Em princípio, isso é uma falta de informação. Isto é completamente proibido pela Kabbalah. A Kabbalah diz que você nunca, sob nenhuma circunstância, deve acreditar em alguma coisa. Alguém me diz que algo existe, como se isto fosse um fato. Eu aceito isto como um fato; isto está correto ou incorreto? Se eu não percebo isto no interior de mim mesmo, isto é, dentro de meus Kelim, então eu não tenho o direito de aceitar isto como um fato. Toda pessoa tem seu próprio mundo e seus próprios fatos. Foi dito, ‘um juiz não tem nenhuma prova maior do que aquilo que os seus olhos podem ver’; seus olhos, e não, os olhos de outra pessoa. Cada pessoa é seu próprio juiz. Este é o único modo pelo qual você pode progredir independentemente, em vez de alguém tomar decisões por você e você praticá-las. Isso nos sintoniza com um completo desenvolvimento individual: o Criador e Eu. Ninguém pode me dizer o que fazer, não há coerção no espiritual e eu não tenho que acreditar em ninguém sobre coisa alguma.
É por isso que o Baal haSulam diz que a terceira teoria (materialismo) é parcialmente correta, e todas as outras não o são, de modo algum. Não acredite em espíritos. Às vezes parece às pessoas que existe algo além do túmulo, quem sabe o quê; isso tudo são fantasias, produtos de nossa imaginação, cansaço cerebral, e assim por diante. Todas essas crenças são inventadas pelo homem; elas não contêm nada real e existente.
Pergunta: Qual é a essência do conselho dos Kabbalistas?
O conselho que os Kabbalistas nos dão refere-se à sintonia de nosso órgão, ou aos meios para determinar um fato. Quando existem freqüências desconhecidas, os Kabbalistas dizem a você: ‘tente se sintonizar com essa freqüência’, porque eles já a ‘pegaram’ e sua experiência. Para que você não pesquise por muito tempo, eles dizem: ‘é desse modo que você pode fazer isto’. Nada mais.
Após, conforme seus conselhos, você ainda terá que realizar os experimentos independentemente, analisar, coletar, e isso tem vida somente dentro de você. Foi dito: ‘o que você vir, somente você verá, e ninguém mais’. Essa ciência se revela somente para você. Você é o cientista e isso se revela somente para você. Os outros continuarão a acreditar em vários espíritos, fitas vermelhas e assim por diante.
Pergunta: Qual é o futuro das ciências terrenas?
As ciências terrenas ao fim alcançarão o estado em que se tornarão convencidas do fato de que elas não conseguem atingir a natureza corretamente, elas não conseguem ir adiante em sua compreensão e adaptá-la praticamente, e elas se condenarão a si mesmas.
A vida está se tornando tão difícil que nós não seremos mais capazes de receber conhecimento prático da ciência, e então não haverá necessidade dela. É por isso que hoje as ciências humanas estão pendendo a nosso favor. De que nos servem todas as ciências culturais, se na vida prática tudo isso não entra em acordo com nosso egoísmo crescente? Hoje, nós precisamos de psicólogos e montes deles, para que cada pessoa tenha um psicólogo pessoal que de alguma forma a acalme. Nós não precisamos de nada mais de todas essas ciências.
As ciências chegarão a um estado em que terão que se preocupar com a teoria da autenticidade, do mesmo modo que a Ciência da Kabbalah exige. Então eles descobrirão que qualquer ciência é uma ciência sobre nossa natureza, que está originalmente baseada nas propriedades da pessoa, embora supostamente nós tenhamos pesquisado algo externo, ou algo que está fora de nós. Isto é, a pessoa se projeta sobre a simples Luz Superior que a cerca.
Os cientistas começarão a compreender que este mundo não existe, que isto é a projeção de nossas propriedades sobre a luz branca, e todos os dados dependem da pessoa. Então emerge uma questão: ‘Se nós vemos um ou outro mundo, conforme nossos parâmetros, então o que precisamos mudar dentro de nós para ver o mundo de um modo diferente, mais agradável?’ Qual é a razão para a existência da ciência, senão para atingir e praticamente utilizar o conhecimento em nosso benefício?
O que eu devo fazer, para que minha projeção na luz branca seja rosada, e com flores? Se a ciência não me der essa solução e eu continuar a sofrer, e meu egoísmo crescente já está me sufocando, então eu não preciso dessas ciências.
Então as pessoas deixarão que todas essas ciências tornem-se a Ciência da Kabbalah, porque ela dá a solução; ela explica o que precisa ser modificado no homem para que o mundo em volta pareça bom, seja uma projeção ou uma impressão de suas propriedades internas na luz branca, absolutamente simples e sem forma.
Pergunta: Qual é o objeto da pesquisa, que instrumentos existem para fazê-la, e qual é o resultado a que a pessoa precisa chegar – ao estado antes do Machsom?
Nós, que estamos aqui, queremos compreender por que nós vemos esta imagem do mundo. A imagem do mundo que nós vemos, na realidade, é chamada ‘o Criador’. Tudo mais, além de meu órgão de percepção, é o Criador, que organiza todas as coisas à minha volta de um modo que eu me perca e não O perceba. Eu estou sob a impressão de que um grande número de dados, forças e causas estão me influenciando. Minha tarefa é dirigir-me constantemente ao fato de que eu estou cercado por e sou influenciado por um simples propósito, ou uma simples causa, e que esta é Sua simples ação com relação a mim.
Tudo o que me cerca, incluindo minhas percepções internas, é parte de um experimento que se realiza sobre mim a todo o momento. Foram-me fornecidos dados que têm conexões contraditórias entre si, e isso me confunde de um modo que eu não sou capaz de me dirigir ao Criador. Quem me deu essas informações? A Luz Superior projeta perfeição sobre mim, elucidando a conexão entre mim, meu estado e o Criador, que estão reunidos em um ponto. Meu egoísmo, por outro lado, separa esses dados numa multiplicidade de estados, propriedades e várias causas.
Se eu corrigir meu egoísmo, - isto é, se eu me dirigir corretamente ao estado em que é preciso estar, - então eu, meu estado e o Criador seremos agrupados juntos, e então eu vou realizar o experimento correto. Eu percebo a reação correta com a ajuda do Kli correto (instrumento), isto é, eu recebo a imagem correta. A partir desse experimento, eu recebo o correto resultado. Esse resultado se imprime em mim. Essa informação óbvia torna-se meu conhecimento revelado, ou a ciência revelada.
Então, vem a próxima fase, ou o próximo nível.
Você pode imaginar a extensão em que a Kabbalah é uma ciência sensível e objetiva, com regras e exigências rígidas? Ela não toma em consideração nenhuma fantasia, nem mesmo em sua parte teórica. Ela coloca a pessoa em condições tão rígidas que não há nada mais a fazer: você não tem o direito de inventar nada, e você nem mesmo tem o direito de ponderar sobre algo que você não tenha autenticamente recebido.
Somente pode haver uma questão com relação ao que é autêntico. Uma pessoa pensa que ouviu uma voz dos céus, outra, teve uma visão, a terceira faz pratos voarem da mesa, a quarta tem uma avó que lhe disse alguma coisa (como pode ser que isso não seja um fato? Afinal, ela tem certeza!) e assim por diante.
Algo é considerado autêntico quando foi percebido por uma pessoa que tenha feito o experimento correto. Isto é, se eu estou num grupo, estou tentando desempenhar uma ação de doação, e se eu me dedico a isto, por conseqüência eu recebo alguma espécie de dados ou fatos, e então eu posso aceitá-los como realidade.
Então eu tenho que voltar sobre eles novamente e novamente, até que se tornem fatos para mim.
Pergunta: Como nós devemos nos relacionar com as recomendações que nos são dadas pelos ‘sábios’?
Com relação a mim mesmo, nenhum conselho de uma pessoa famosa pode ser exatamente equivalente. Alguns deles dizem, ‘Vocês devem cumprir os mandamentos e não pensar sobre nada mais, isto é o mais importante. Da manhã até a noite vocês precisam estudar, ler os Salmos, e então tudo estará bem’. Um outro diz que você precisa praticar umas outras ações, que correspondem à sua religião, e um terceiro, conforme uma outra religião. Há também aqueles que lhe oferecerão outras espécies de metodologias, que não são religiosas.
A pessoa está diante de todos esses conselhos. O que ela deve fazer? Involuntariamente ela faz o que quer que pareça mais próximo, melhor, e o que a sociedade lhe dá. Nada disso é nossa liberdade de escolha.
A liberdade de escolha se manifesta somente quando a pessoa encontra seu caminho para um grupo que se dirija de um modo específico. Então, considera-se que o Criador pôs a pessoa no caminho correto e lhe disse, ‘daqui por diante, mova-se sozinho’. Os Kabbalistas descrevem isto em seus artigos.
Uma grande quantidade de ações acontece na vida de uma pessoa, antes que ela chegue a essa espécie de estado, mas ela chega aí. Até agora, poucas pessoas chegaram, mas mais virão. Quantas? Nem todos, e nem todos são necessários. Os demais simplesmente seguirão esse conselho no nível inanimado, ou subconsciente. Tudo está construído na forma de uma pirâmide.
Pergunta: O que é AChaP do Superior?
O ACHaP do Superior é o parâmetro que o Criador me dá, para que eu me torne equivalente a Ele. Hoje, o AChaP do Superior é o nome de todas as condições que eu entendo como sejam espirituais, que me são dadas no grupo, e às quais eu preciso me dedicar: tento amar meu próximo e assim por diante. Tudo isso é o AChaP do Superior.
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