Do Baal haSulam:
02) Assim, o desejo de receber, em toda a sua variedade, foi incluído no Pensamento da Criação desde o começo. Ele sempre esteve inseparavelmente ligado ao prazer que o Criador preparou para nós. O desejo de receber é um vaso, enquanto a Shefa é a luz que preenche o vaso. Essas luzes e vasos são somente componentes dos mundos espirituais. Eles estão inseparavelmente conectados uns aos outros. Juntos, eles descem do alto, nível a nível.
Quanto mais distantes do Criador esses níveis estejam, maior e mais grosseiro torna-se o desejo de receber. Por outro lado, quanto maior e mais grosseiro se torne o desejo de receber, mais distante ele estará do Criador. Isso acontece até que ele chegue ao ponto mais baixo, em que o desejo de receber chegue à sua medida máxima. Essa condição é desejável e necessária para que tenha início a ascensão em direção à correção.
Esse lugar é chamado o ‘Mundo de Assiya’. Nesse mundo o desejo de receber é definido como ‘o corpo do homem’, enquanto a luz é chamada ‘a vida do homem’. A diferença entre os mundos Superiores e este mundo (Olam Hazeh) é que nos mundos Superiores o desejo de receber ainda não é grosseiro o suficiente, e ainda não está completamente separado da luz. Em nosso mundo, o desejo de receber alcança seu desenvolvimento final e torna-se completamente separado da luz.
03) A ordem descendente do desenvolvimento do desejo de receber, mencionada acima, divide-se em quatro níveis (Bechinot). Essa ordem está codificada no mistério do Nome do Criador. O Universo submete-se à ordem dessas quatro letras, HaVahYaH (Yud-Hei-Vav-Hei). Essas letras correspondem às dez Sefirot: Chochmah, Binah, tifferet (ou Zeir Anpin), Malchut e sua raiz. Por que são dez? Porque a Sefirah Tifferet inclui 6 Sefirot: Chessed, Gvurah, Tifferet, Netzach, Hod e Yessod.
A raiz de todas essas Sefirot é chamada Keter, mas freqüentemente ela não é incluída na conta das Sefirot; por isso, diz-se ChuB-TuM. Essas quatro Bechinot correspondem aos quatro mundos: Atzilut, Beriah, Yetzirah e Assiyah. O mundo de Assiyah também inclui este mundo (Olam HaZeh). Não há uma única criatura neste mundo cuja raiz não esteja no mundo da Infinidade, no plano da criação. O plano da criação é o desejo do Criador de dar prazer a todas as criaturas.
Isso inclui a ambos, a luz e o vaso. A luz vem diretamente do Criador, enquanto o desejo de receber prazer foi criado pelo Criador como algo novo, extraído do nada. Para que o desejo de receber chegue ao seu desenvolvimento final, ele precisa passar junto com a luz através dos quatro mundos, Atzilut, Beriah, Yetzirah e Assiyah (ABYA). Então o desenvolvimento da criação se completa, com a criação, nela, da luz e do vaso, chamados ‘o corpo’ e ‘a luz da Vida’.
Comentários de Rav Laitman:
A conexão entre o Criador e a criação é chamada ‘o mundo da Infinidade’ (Ein Sof). Objetos espirituais inferiores, enquanto vão compreendendo isto, dão os nomes da Luz Superior. Como o desejo do Criador foi dar prazer às critauras, Ele criou alguém que seria capaz de receber esse prazer dEle, e a criação do desejo de receber prazer chamada ‘Malchut’ ou ‘o mundo da Infinidade’ foi suficiente para isto.
Como nesse estado, Malchut recebe para si mesma, sem fazer nenhuma restrição sobre a recepção, mais tarde Malchut faz uma restrição sobre a recepção da luz-prazer.
Foi dito que o ‘desejo de receber’ finalizou-se no mundo de Assiyah. Então, isso significa que o maio ‘desejo de receber’ existe nesse mundo de Assiyah? Porém, embora o mundo de Assiyah seja somente Bechinat Shoresh e tenha a luz mais fraca, há a luz de Keter no mundo de A”K. A noção do mundo de Assiyah tem dois significados:
a) A Bechinat Dalet inteira, que é chamada o mundo de Assiyah, e
b) O mundo de Assiyah, em si.
Para entender o significado da primeira noção, é preciso saber que o vaso acabado é chamado “Bechina Dalet’; mas, de fato, o verdadeiro vaso (o Kli) já estava presente na Bechina Alef. Keter é o ‘desejo de doar’ prazer à criação; Chochmah é o ‘desejo de receber’ esse prazer, e é completamente preenchido pela luz. Porém, o Kli precisa passar por mais quatro níveis até o seu desenvolvimento final.
Nós estudamos tudo sob o ponto de vista da nossa natureza porque todas as leis vêm de raízes espirituais. Em nosso mundo, o valor do prazer do homem depende da intensidade do seu esforço por esse prazer. Uma paixão insuportável traz um prazer maior, enquanto um desejo mínimo traz somente um pequeno prazer. Para que o homem capte um verdadeiro desejo, são necessárias duas condições:
a) O homem não consegue se esforçar por algo de que ele nunca tenha ouvido falar antes. Ele precisa saber o que ele quer, isto é, uma vez que ele já tenha tenha isto.
b) Mas ele não pode se esforçar por algo que ele já tem. Assim, quatro níveis de desenvolvimento do Kli são necessários, para que ele receba a forma final.
Malchut tem toda a luz no mundo da Infinidade. Porém, o vaso se caracteriza pela diferença entre suas propriedades e aquelas do Criador, que não existiam no mundo da Infinidade. Com o desenvolvimento seguinte do vaso, nós compreendemos que o verdadeiro vaso é a falta da luz.
No mundo de Assiyah, o Kli não recebe nada, porque ele quer somente receber; por isso, ele é definido como um genuíno vaso. Ele está tão longe do Criador, que não sabe nada sobre a sua raiz. Como resultado, o homem precisa acreditar que ele foi criado pelo Criador, embora seja incapaz de sentir isto.
Conclusão: o vaso não é alguém ou algo que tenha muito; ao contrário, é alguém ou algo extremamente distante. Ele está totalmente desconectado da luz. Enquanto recebe somente para si mesmo, o vaso não tem ‘desejo de doar’; tudo o que ele pode fazer é acreditar que um tal desejo exista... O homem não consegue entender por quê ele precisa se esforçar para doar.
Qual é o objetivo da existência de um tal vaso, que não tem nem uma centelha da luz e que está extremamente distante do Criador? Tais vasos devem começar a trabalhar em prol de doar usando objetos que são, até então, irreais.
O Baal haSulam dá o seguinte exemplo. No passado, tudo era muito caro, e por isso as crianças eram ensinadas a escrever primeiro no quadro-negro com um pedaço de giz. Assim elas podiam apagar o que tivessem escrito errado, e somente aquelas que tivessem aprendido a escrever corretamente recebiam papel de verdade.
O mesmo se aplica a nós. Primeiro, nós recebemos brinquedos e então, se nós aprendemos a acrescentar a intenção em prol do Criador ao nosso desejo, nós seremos capazes de ver a verdadeira luz. O Kli é criado de forma a que se acostume com o trabalho real.
Antes que as almas apareçam todas as ações são praticadas pelo Criador. Assim Ele mostra às almas como elas devem agir. Por exemplo, como alguém aprende a jogar xadrez? Os movimentos são feitos para o aluno e desse modo, ele aprende. É por isso que os mundos descem do alto. O Criador transmite todas as ações relativas tanto aos níveis superiores, quanto aos inferiores. Então no segundo estágio, as almas começam a ascender por si mesmas.
Enquanto isso, nós nos esforçamos com os brinquedos, e não com a espiritualidade; por isso, a luz da Torah está oculta de nós. O homem (ainda) não seria capaz de receber os enormes prazeres que lhe são oferecidos, em prol do Criador.
O Baal haSulam nos dá um exemplo. Um homem põe todos os seus valores sobre uma mesa: ouro, prata, diamantes. De repente, estranhos entram na sua casa. Ele teme que eles possam roubar seus tesouros. O que ele pode fazer? Ele apaga a luz, e assim ninguém pode ver que há coisas preciosas na casa.
Nós não sentimos falta do desejo pela espiritualidade porque o ‘desejo de receber’ está ausente em nós; na verdade, (nós não sentimos falta do desejo pela espiritualidade) porque não conseguimos ver nada. Nós não conseguimos ver o bosque, por causa das árvores. Quanto mais o homem se ‘purifica’, melhor ele começa a ver. Então o seu Kli (o desejo de receber) cresce gradualmente, porque ele quer sentir prazeres maiores.
Por exemplo, se alguém dá um jeito de receber 0,5kg de prazer em prol da doação, ele recebe 1,0kg. Então, se essa quantidade também for recebida com a intenção em prol do Criador, ele recebe 2,0kg de prazer, e assim por diante.
Sobre isto, os sábios disseram: ‘Aquele que alcançou os níveis mais altos da Torah tem desejos maiores’. Apesar disso, nós não conseguimos ver nada até que nossos desejos adquiram a intenção de receber em prol de doar. Nesse sentido, a única diferença entre uma pessoa secular e uma pessoa religiosa é que o primeiro aspira por receber somente os prazeres deste mundo, enquanto o último também deseja a luz do mundo vindouro.
O poder do desejo de receber sobre todas as criaturas é tão grande que sobre isso, os sábios disseram: “ A lei que governa as pessoas é esta: ‘o meu é meu, e o seu é seu’; e somente o medo impede o homem de dizer ‘o seu é meu’ ”.
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