Pticha 04

 

Do Baal haSulam:

04) A necessidade de desenvolver o ‘desejo de receber’ em quatro níveis (Bechinot) através dos quatro mundos de ABYA tem causa na regra existente, de acordo com a qual, somente a expansão da luz, seguida por sua subseqüente expulsão, faz com que o vaso se torne apropriado para o uso.

Uma explicação: quando o vaso é preenchido com a luz, eles se conectam inseparavelmente. O vaso, na verdade, é inexistente; ele se anula, como a chama de uma vela desaparece diante da chama de uma tocha.

O desejo é satisfeito, então ele deixa de existir. Ele somente pode reaparecer depois que a luz saia dele, pare de satisfazê-lo. A razão para essa auto-aniquilação do vaso reside em seu total contraste com a luz. A luz vem diretamente da essência do Criador, do Pensamento da Criação. Essa luz é um ‘desejo de doar’ e não tem nada a ver com o ‘desejo de receber’. O vaso é absolutamente oposto a ela – ele é um tremendo ‘desejo de receber’ a luz.

O vaso é uma raiz, uma fonte de algo muito novo, inexistente antes da criação. O vaso não tem ‘desejo de doar’. Quando a luz e o vaso se conectam inseparavelmente, o ‘desejo de receber’ é anulado pela luz. O vaso adquire uma certa forma somente após a expulsão da luz de dentro dele. Esse desejo apaixonado determina a forma necessária de seu ‘desejo de receber’. Quando a luz entra novamente no vaso, eles se tornam dois objetos separados – o vaso e a luz, ou o corpo e a vida. Tomem nota disso cuidadosamente, porque são noções muito profundas.

Comentários de Rav Laitman:

Quando o Kli começa a receber, ele precisa sentir: ‘Agora eu recebi prazer’. Mas a luz que traz esse prazer não deixa que esse ‘Eu’ se abra e seja sentido pelo Kli. Por isso o ‘Eu’ se anula. Isso significa que o Kli não sente que ele está recebendo, embora esteja.

O Rabbi Baruch Ashlag dá o seguinte exemplo. Um homem velho ganha cem mil dólares na loteria. Seus amigos têm medo de contar a ele a novidade, pensando que ele possa ter um ataque do coração e morrer por causa do excesso de excitação.

Um deles disse que poderia transmitir a informação sem causar nenhum dano. Ele foi até o velho e perguntou: ‘Se você ganhasse dez dólares na loteria, você dividiria comigo? – Claro que sim!’ o velho respondeu. ‘E se você ganhasse cem dólares na loteria, você ainda assim desejaria dividir o prêmio comigo? – Por que não?’ respondeu o velho. E assim por diante até que a soma alcançasse os cem mil dólares, e então o amigo perguntou: ‘Você está pronto para assinar nosso contrato? – Claro que sim!’ exclamou o velho. Nesse exato momento o amigo teve um colapso e caiu morto no chão.

Nós vemos então que o homem pode morrer por causa de uma grande alegria, pois quando a luz é muito poderosa, anula o ‘desejo de receber’. Nesse caso, o Kli desaparece e a luz se limita a sair para encorajar o Kli a se esforçar por ela.

Por que então a luz não anula o vaso, a Bechina Dalet, quando volta para ele? Quando a Or e o Kli estão juntos na Bechina Alef, ambos o ‘desejo de receber’ e o ‘desejo de doar’ precisam se expandir ali. Porém, como eles são opostos um ao outro, o ‘desejo de doar’ anula o ‘desejo de receber’, isto é, evita que ele se expanda.

Depois que a Bechina Dalet se forma, a luz não pode anulá-la, pois elas representam duas forças existentes. Na Bechina Alef a luz não deixa que o ‘desejo de receber’ se expanda e cresça; mas uma vez que ele se tenha desenvolvido, a luz não pode mais interferir com ele.

Por exemplo, dois homens estão lutando. Um deles impede que o outro entre na sua casa. O que importa se eles estão lutando fora da casa, ou se o invasor já estiver dentro da casa? Se nós dissermos isto, que não existe nada além do Criador, que deseja doar prazer, e a criação, que se esforça por este prazer, isto é suficiente para ter Keter como doador e Chochmah como receptor!

Na fase de Chochmah o ‘desejo de receber’ é um com a luz, esta, evitando que ele sinta o que recebe. Porém, esse estado não é perfeito, pois o Kli precisa sentir tudo o que recebe. Por exemplo, o homem dá algo ao seu amigo, mas o amigo não consegue sentir isto. Nesse caso, o doador está violando o mandamento de ‘não destruir’.

Por isso, está clara a razão pela qual nós não recebemos coisas importantes (preciosas). Como ficamos contentes com prazeres pequenos, nós não merecemos receber coisas valiosas. Assim, o desenvolvimento das 4 fases é necessário para o nascimento do Kli, que sente o que recebe.

 

 

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