Pticha 23 e 24

 

Do Baal haSulam:

23) Precisamos entender por que, na ausência do vaso de Malchut, falta a luz de Keter, e por que falta a luz de Chochmah quando o vaso de Tifferet também está ausente. Diante disto, tudo em volta se modifica. Se a Aviut da Bechinah Dalet estiver ausente na tela, então deverá faltar a luz de Malchut (Nefesh). Se dois vasos estiverem ausentes – Bechinah Guimel e Bechinah Dalet – faltarão também as luzes de Tifferet e Malchut.

Comentários de Rav Laitman:

Supostamente, se não houver força de resistência para o maior desejo (Malchut), então é de se presumir que faltará a luz de Malchut, isto é, a luz que satisfaz este desejo. Então, por que sustentamos que a luz maior (Keter) está ausente, neste caso? Esta não é a luz que satisfaz Bechinah Keter?

Isso pode ser explicado pela relação inversa entre a luz e o vaso, isto é, primeiro, o menor desejo (Keter) é preenchido com a menor luz de Malchut (Nefesh), até então, independentemente do Kli formado, e tomando seu lugar temporariamente. Porém, na medida em que o desejo gradualmente cresce, ou melhor, em que se adquire a tela para mais desejos, luzes maiores preenchem o Kli Keter, Enquanto isso, Chochmah, Binah, Tifferet e Malchut são preenchidos com as várias luzes até que Malchut finalmente seja preenchida com a luz de Nefesh e Keter com a luz de Yechidah.

 

Do Baal haSulam:

24) O fato é que há uma relação inversa entre as luzes e os vasos. Primeiro, os vasos mais altos emergem e começam a crescer no Partzuf, de Keter abaixo até Chochmah e assim por diante até Malchut.

Por isso nós denominamos os vasos de acordo com a ordem de seu crescimento: Keter, Chochmah, Binah, Tifferet e Malchut (KaChaB-TuM), de cima abaixo. As luzes entram no Partzuf na ordem oposta, primeiro as inferiores: a luz mais inferior – Nefesh (o lugar dela é dentro de Malchut), e então Ruach, (a luz de Zeir Anpin) e assim por diante até Yechidah.

Por isso, nós nomeamos as luzes na seguinte ordem: Nefesh, Ruach, Neshamah, Chayah e Yechidah, de baixo para cima, de acordo com a ordem em que elas entram no Partzuf. Quando o Partzuf tem apenas um vaso (que pode ser apenas Keter), a primeira luz a entrar não é Yechidah, que deveria estar dentro dele, mas Nefesh, a luz mais inferior.

Quando os dois vasos mais elevados, Keter e Chochmah, emergem no Partzuf, então a luz Ruach também entra nele. A luz Nefesh sai do vaso Keter e desce para o vaso Chochmah, enquanto a luz Ruach entra no vaso Keter. Quando o terceiro vaso, Binah, emerge no Partzuf, a luz Nefesh sai do vaso Chochmah e desce para o vaso Binah, enquanto a luz Ruach desce para o vaso Chochmah e a luz Neshamah entra no vaso Keter.

Quando o quarto vaso Tifferet emerge no Partzuf, a luz Chayah entra nele; a luz Nefesh sai do vaso Binah e desce para o vaso Tifferet. Enquanto a Luz Ruach desce para o vaso Binah, a luz Neshamah entra no vaso Chochmah e a luz Chayah entra no vaso Keter.

Quando o quinto vaso Malchut emerge no Partzuf, a luz Yechidah entra nele. Todas as luzes agora estão em seus lugares, pois a luz Nefesh sai do vaso Tifferet e desce para o vaso Malchut, enquanto a luz Ruach desce para o vaso Tifferet, a luz Neshamah entra no vaso Binah, a luz Chayah entra no vaso Chochmah, e a luz Yechidah entra no vaso Keter.

Quando o Partzuf, consistente de cinco partes do ‘desejo de receber’ (os Kelim Keter, Chochmah, Binah, Tifferet e Malchut) é preenchido com a luz, Nefesh está em Malchut, Ruach está em Tifferet, Neshamah está em Binah, Chayah está em Chochmah e Yechidah está em Keter. É assim que se apresenta um Partzuf completamente preenchido.

Comentários de Rav Laitman:

Porém, a formação, isto é, a correção dos vasos, a aquisição da tela por eles, ocorre desde o menos egoísta (Keter) até o mais egoísta (Malchut), de cima para baixo. Seu preenchimento com a luz começa pela luz mais fraca (Nefesh), até chegar ao prazer mais intenso (Yechidah).

Gradualmente, todas as luzes primeiro entram em Keter, uma após a outra. O preenchimento do Partzuf sempre ocorre nesta ordem: Keter – Chochmah – Binah – Tifferet – Malchut. As luzes entram nesta ordem: Nefesh – Ruach – Neshamah – Chayah – Yechidah. A regra estabelece: o Kli começa a crescer a partir da Sefirah mais elevada, enquanto as luzes entram a partir da mais inferior. Parece com dois cilindros entrando um no outro.

De acordo com a ordem de sua entrada no Partzuf, de Nefesh até Yechidah, as luzes são abreviadas por NaRaNChaY, desde a menor até a maior, enquanto os Kelim são abreviados de acordo com sua ordem descendente, KaChaB-TuM.

Observamos a mesma ocorrência em nossa vida: se eu quero resistir a algum prazer, embora permaneça de certo modo conectado a ele, eu sempre começo pelo prazer menor, passando gradualmente para delícias mais e mais intensas, até que eu esteja absolutamente seguro de que até os maiores prazeres que eu possa receber não sejam em prol de mim mesmo.

Quando dizemos que um novo Kli nasceu, isso significa que há uma tela para o prazer correspondente, a força de resistir a essa delícia, a intenção de receber em prol do Criador. Conseqüentemente, o Partzuf estará sendo preenchido com a luz correspondente à força que se opõe (a essa luz).

A tela aparece como resultado de estudos dirigidos e trabalho em grupo, com a intenção apropriada. Quando um Kabbalista adquire uma tela para o menor desejo, ele somente trabalha com este desejo. O resto de seus desejos são simplesmente postos de lado e restritos. Por causa dos esforços do homem, a tela torna-se mais forte, isto é, emerge uma força adicional para resistir a um desejo maior, e o homem começa a trabalhar com dois desejos, e a receber duas luzes.

Isso continua até que haja uma tela para todos os cinco desejos, quando todas as luzes possam ser recebidas em prol do Criador. Toda vez que um homem pode trabalhar com novos desejos, os desejos precedentes aproximam-se da perfeição, pois paralelamente à luz que estava neles, uma luz nova, mais poderosa, entra, trazendo um prazer maior.

Se uma pessoa, que faz estudos consistentes, junto com um grupo de pessoas com a mente semelhante, e escuta as explicações do Professor, puder depois concentrar-se nas mesmas matérias espirituais, enquanto passa por vários estados e circunstâncias de nosso mundo, então da próxima vez que ela vier estudar ela sentirá mais do que da vez anterior. Ela terá recebido uma luz mais alta, pois ela agora estará trabalhando com Kelim mais puros e não pensará em prazeres animais. É isso que significa a relação inversa entre as Orot e os Kelim (as luzes e os vasos).

A terra de Israel difere de todos os outros lugares por seu alto nível de egoísmo. É o lugar mais difícil para o trabalho espiritual. Porém, ao mesmo tempo, é único, e o mais favorável.

Essa terra tem um potencial espiritual especial. O Baal haSulam escreveu que Jerusalom é o lugar da destruição do Templo. A força mais poderosa está presente ali, mas assim também estão as forças impuras mais poderosas, as Klipot.

O Kli Keter, a Aviut Shoresh, está designado para o menor ou para o maior prazer? Ele está destinado à maior delícia, a Or Yechidah, que entra em Keter por último, quando o Masach torna-se forte o suficiente para opor-se ao mais intenso desejo de Malchut. Em outras palavras, trabalhando com os desejos mais baixos, criando para eles a intenção de receber prazer em prol do Criador, o Kabbalista recebe a maior delícia – a Or Yechidah, que entra no mais puro Kli Keter.

Se, satisfazendo seus grosseiros desejos animais, o homem puder pensar no Criador e no Propósito da Criação, então enquanto aprende, estuda textos da Kabbalah e reza, ele certamente estabelecerá um contato melhor com o Criador.

Há cinco desejos para receber prazer no Kli. Sua ‘medida’ ou ‘volume’ depende somente da tela. O nível do desejo a que a tela pode resistir determina a luz que entrará no Kli, isto é, o nível do Kli. Primeiro, a pessoa trabalha com o Kli de Aviut de Shoresh e gradualmente, cria a tela para Aviut Alef.

Quando esse processo estiver concluído, você será capaz de receber a mesma tela para a Aviut Alef, e de trabalhar com ela. Então, pouco a pouco, você criará uma tela para a Aviut Bet, Guimel e Dalet. O Kli com a inicial Aviut Shoresh precisa ter rudimentos da tela para todas as cinco Bechinot, para construir a tela para todas essas espécies de Aviut.

O Kli gradualmente constrói a si mesmo, indo desde os menores desejos até os maiores. Isso acontece nessa ordem, para evitar a recepção egoísta do prazer. Os desejos são medidos de acordo com a intensidade do prazer sentido. É assim que a humanidade progride, desde os pequenos desejos, até os maiores.

Começando a trabalhar com o menor desejo (Keter), o homem o transforma em um desejo altruísta, com a ajuda da tela. Então ele recebe a luz Nefesh, sentindo um grande prazer, porque o Criador Se revela parcialmente nessa luz, isto é, de acordo com a medida da correção do Kli, ele se torna igual ao Criador.

A Or Nefesh é a delícia de estar unido ao Criador na parte menor, na quinta parte, em que a pessoa é capaz de sentir eternidade, sabedoria, absoluto conhecimento, extrema delícia e perfeição.

Tal estado do Kli significa transcender os limites de nosso mundo, de nossa natureza. Até então, o Kli não é capaz de ver além desse estado. Porém, na medida em que ele se desenvolve mais adiante, ele começa a sentir estados mais e mais perfeitos, recebendo prazeres cada vez maiores.

A recepção da Or Nefesh pelo homem significa recepção de todas as partes dessa luz: Nefesh de Nefesh, Ruach de Nefesh, Neshamah de Nefesh, Chayah de Nefesh e Yechidah de Nefesh. Qualquer Kli, qualquer recepção, também consiste de cinco partes. Isso é como nós recebemos informação através de nossos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.

Todas essas cinco luzes precisam se manifestar no Kli Keter, onde a luz Nefesh entra primeiro. O mesmo acontece com o resto das luzes. Todas as armadilhas externas religiosas apenas fazem alusão às ações espirituais. Grandes Kabbalistas em cada geração introduziram algumas regras na vida das massas religiosas, para ligá-las à torah e assim educá-las.

Por exemplo, há uma tradição de colocar dois mantos, que simbolizam os dois tipos de ‘Levushim’ (roupagens) que revestem a alma no mundo de Atzilut. Todos esses rituais religiosos têm um significado Kabbalístico. A principal lei espiritual é a equivalência das propriedades do homem, seus desejos, com aqueles do Criador.

A luz do Criador é homogênea por natureza. Um certo Kli, dependendo de seus parâmetros internos, distingue, na luz homogênea, vários ‘sabores’, isto é, diferentes espécies de prazer: a Or Yashar, a Or Chozer, a Or Elion, a Or Pnimi, a Or Makif etc. É a mesma luz; tudo depende de como o Kli a percebe. Antes de entrar no Kli, ela é chamada a simples Luz Superior (a Or Elion Mufshat), pois não se pode distinguir nela nenhuma diversidade de propriedades.

Isso se assemelha ao exemplo do Baal hasulam sobre o maná celeste, que não tinha gosto, embora cada um sentisse o gosto que correspondia às suas propriedades. Se a simples Luz Superior brilha na cabeça do Partzuf, ela é chamada a ‘Or Yashar’ (a Luz Direta). A luz refletida pela tela (a Or Chozer) envolve a Or Yashar, e quando ambas entram no Kli, essa luz recebe outro nome – a Or Pnimi (a Luz Interior), ou Ta’amim (sabores).

Como o Partzuf recebe apenas uma certa porção da luz que vem, a parte não recebida fica fora do Kli. Essa parte da luz é chamada ‘Or Makif’ (a Luz Circundante). O Partzuf gradualmente receberá essa luz em pequenas porções. O estado no qual toda a Luz Circundante será capaz de entrar no Partzuf é chamado Gmar Tikkun (a Correção Final).

A luz que sai do Kli é chamada ‘Nekudot’ – pontos, porque Malchut é chamada um ponto, um ponto preto, devido às suas propriedades egoístas, que são incapazes de receber a luz após o TA. Após preencher o Partzuf com a Luz Interior, a Luz Circundante pressiona a tela no Tabur, de modo que o Kli possa receber a luz que ficou fora.

Porém, o Partzuf não tem o Masach apropriado para essa luz. Por isso, se ele a receber (na ausência da intenção em prol do Criador), tal recepção será egoísta. Como a restrição contra a recepção da luz é uma conseqüência do desejo egoísta de Malchut (o ponto preto), a luz que sai de Malchut é chamada Nekudot.

Quando a Luz Interior sai do Partzuf e brilha sobre ele de longe, ela provoca uma sensação especial, uma impressão dentro do Kli, chamada ‘lembranças’ (Reshimot). Essas lembranças constituem a informação vital, sem a qual o Partzuf não poderia saber o que fazer a seguir.

 

 

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