Pticha 25

 

Do Baal haSulam:

25) Até que a formação de todos os cinco Kelim no Partzuf tenha sido finalizada, suas cinco luzes não estão nos seus lugares; além disso, elas estão arranjadas numa ordem inversa. Na ausência do Kli Malchut, a luz Yechidah está ausente no Partzuf. Na ausência dos dois vasos Malchut e Tifferet, não há as luzes de Yechidah e Chayah. Por um lado, os vasos puros nasceram, de Keter até Malchut; por outro lado, as luzes mais fracas (começando por Nefesh) são as primeiras a entrar neles.

Como qualquer recepção da luz ocorre nos vasos mais puros, cada nova luz precisa entrar no Kli Keter. Quando a nova luz entra no Kli Keter, a luz que estava ali desce para o Kli Chochmah. Quando há um Masach para o vaso Chochmah, Or Ruach entra no Kli Keter e a Or Nefesh desce para Chochmah.

Quando a tela se torna mais forte, formam-se os seguintes vasos: Binah, Tifferet e Malchut, e as luzes Neshamah, Chayah e Yechidah tornam-se capazes de passar através de Keter e preencher os vasos. Todas as luzes entram em seus lugares de direito: Nefesh em Malchut, Ruach em Tifferet, Neshamah em Binah, Chayah em Chochmah e Yechidah em Keter.

Lembrem-se dessa regra sobre a relação inversa entre as luzes e os vasos, e vocês sempre serão capazes de distinguir se as luzes ou os vasos são objeto de referência em um certo contexto, sem se confundir. Nós aprendemos sobre as cinco Bechinot (níveis) da tela e como os níveis do Kli emergem um após o outro em correspondência com as Bechinot.

Comentários de Rav Laitman:

Cada nova luz é bilhões de vezes mais intensa que a precedente. Por isso, cada nível subseqüente é percebido como um mundo totalmente diferente. Em nosso mundo, nós não temos tela alguma, nós não podemos ver a luz que está diante de nós. A pessoa somente pode vê-la com a ajuda da Luz Refletida (a Or Chozer), e somente na medida em que Malchut a reflete.

Porém, estudando Kabbalah, nós estimulamos a Or Makif até que ela crie em nós o Kli primário, Keter, em que nós receberemos instantaneamente a Or Nefesh. Esse estado significa o nosso nascimento espiritual, cruzando a barreira (o Machsom) entre nosso mundo e o mundo espiritual. Isso significa que nós estamos no nível mais baixo do mundo de Assiyah.

Continuando o trabalho em nossa correção, nós adquirimos a próxima tela da Aviut Alef e recebemos a luz Ruach. A seguir, adquirimos as telas para os Kelim Bet, Guimel e Dalet e correspondentemente, recebemos as luzes Neshamah, Chayah e Yechidah. Agora, todas as luzes estão em seus lugares corretos.

Como podemos instalar uma tela? Se eu pudesse conhecer e sentir minhas propriedades egoístas hoje, eu correria para longe das correções! Não há nada que meu egoísmo odeie mais do que a tela. Porém, eu não posso escapar do espiritual, pela simples razão de que meu próprio egoísmo não compreende minhas propriedades. Tal estado inicial, ‘inconsciente’, é criado deliberadamente de modo que nós não possamos sentir a espiritualidade, mas possamos aspirar por ela, em razão da curiosidade e do desejo de melhorar nosso futuro.

Assim, o principal consiste em cruzar a barreira apesar de nossa própria natureza. Isso acontece inconscientemente; o homem não sabe ao que está se dirigindo, ou quando isso poderá acontecer. Após cruzar o Machsom, o homem começa a ver que, até aquele momento, ele estava em um estado semelhante ao sonho.

Dois processos precedem a travessia do Machsom, o primeiro sendo a compreensão do próprio mal. O homem começa a entender o quanto o seu egoísmo é nocivo para ele. O segundo processo consiste na compreensão de que a espiritualidade é muito atraente, e que não há nada mais valioso, magnífico ou eterno do que isso.

Esses dois pontos opostos (a compreensão do mal e a atração pelo espiritual) se unem na pessoa comum para criar o nível zero. Na medida em que ela avança espiritualmente, esses pontos começam a se mover para longe um do outro. Ao mesmo tempo, a espiritualidade se eleva aos olhos do homem, enquanto seu egoísmo é percebido como o mal.

Essa diferença entre a própria apreciação pela espiritualidade e a crítica ao próprio egoísmo torna-se tão tremenda que provoca um grito interior, uma exigência de solução para o problema. Se esse grito interior alcança a intensidade necessária, a tela é dada à pessoa pelo alto.

O estudo do egoísmo, sua correção e seu uso apropriado, constituem toda a jornada do homem desde o estado inicial até o fim (o Gmar Tikkun). Nos mundos espirituais, o homem continua a estudar seu egoísmo em cada nível. Quanto mais alto nós ascendamos, mais egoísmo é adicionado a nós, de modo que trabalhando com ele, nós sejamos capazes de transformá-lo em altruísmo.

Tudo o que dizemos é visto sob a perspectiva da criação. Nós não podemos dizer nada sobre o Criador, pois nós não sabemos realmente quem Ele é. Em um nível pessoal, eu somente sei que Ele é percebido em minhas sensações. Somente filósofos têm tempo para especular sobre algo que nunca será atingido. Por isso, essa ciência degenerou-se completamente.

A Kabbalah opera somente com aquilo que os Kabbalistas sentiram, atraíram muito precisamente para si mesmos, e relataram para nós em uma linguagem especial, a linguagem Kabbalista. Qualquer um pode reproduzir esse processo internamente como se fosse um experimento estritamente científico.

O instrumento de tal experimento é a tela que o homem precisa criar no ponto central de seu próprio egoísmo; esse ‘Eu’ se desenvolve com a ajuda do método chamado Kabbalah.

Há duas espécies de tela. A primeira se posiciona na frente do Kli, no Peh do Partzuf, isto é, em Malchut de Rosh. Ela reflete toda a luz, como se estivesse de guarda quanto à implementação do TA. A segunda tela recebe a luz; ela trabalha com a Aviut que está posicionada em Malchut de Guf. Ela absorve todo o egoísmo que possa ser transformado em recepção em prol do Criador.

Geralmente, a tela está sempre em Malchut, o ponto mais baixo do Partzuf. Reflexão e recepção são duas das suas ações. A primeira forma o Rosh, enquanto a segunda forma o Guf do Partzuf. Para mais detalhes, vejam a parte 3 (‘Histaklut Pnimit’), capítulo 14, página 5 do ‘Estudo das Dez Sefirot’.

 

 

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