Do Baal haSulam:
32) Agora vamos esclarecer o que é Or Makif do mundo AK (ou melhor, Galgalta), que é infinitamente grande e inesgotável. Não se questiona se a luz do Mundo da Infinidade é Or Makif. Isso significa que, quando o Contato de Colisão acontece, a enorme luz do Mundo da Infinidade bate na tela da Malchut de Rosh Galgalta. Embora ela deseje entrar na Bechinah Dalet, como se nunca tivesse ocorrido o TA, a tela a bloqueia e reflete, evitando que ela entre na Bechinah Dalet (ver item 14).
Essa Or Chozer virtualmente tornou-se o vaso de recepção da Luz Superior. Porém, há uma tremenda diferença entre a recepção pela Bechinah Dalet antes do TA e a recepção com a ajuda do Masach e a Or Chozer, após. Como já dissemos, a luz que entrou em Galgalta é somente um tênue raio, comparada ao que era antes do TA.
A parte da Luz Superior que não pôde entrar no Partzuf tornou-se Or Makif de Galgalta. Há uma regra: nada desaparece, jamais, no mundo espiritual; por isso a luz do Mundo da Infinidade que estava destinada à Bechinah Dalet não sumiu; ela é compelida a cumprir sua predestinação e entrar em Malchut, por isso ela agora começa a preencher os mundos de AK e ABYA, embora o faça conforme um princípio diferente. Agora a criação toma somente aquela parte da luz que pode receber não para si mesma, mas em prol do Criador.
Isso acontece devido a um grande número de Contatos de Colisão entre a luz e os Masachim dos mundos e dos Partzufim, até que a Bechinah Dalet corrija a si mesma com sua ajuda e alcance o estado de absoluta perfeição, concebido pelo Criador no começo da criação.
Então, a luz inteira do Mundo da Infinidade entrará na Bechinah Dalet; mas então a criação será sócia do Criador (no ato de) criar a si mesma, ‘ganhando’ a recepção da luz. Assim, o Contato de Colisão entre a luz e o Masach não leva ao desaparecimento ou à transformação da luz.
Mas por enquanto, antes da Correção Final (Gmar Tikkun), a luz da Infinidade transforma-se em Or Makif (Luz Circundante), o que significa que ela precisará entrar nesse Partzuf no futuro. Porém, no momento presente ela cerca o Partzuf e brilha sobre ele como se estivesse ‘no exterior’.
Essa luminescência exterior dissemina-se através de todos os mundos em forma de correções, capazes de levar Malchut a ser completamente preenchida com a luz do Mundo da Infinidade.
Comentários de Rav Laitman:
Como já dissemos, a luz refletida pela tela reveste a Luz Direta (Or Yashar) e serve como um Kli para receber a Or Pnimi dentro do Guf. A Or Chozer é a Kavanah (intenção), graças à qual a luz pode entrar no Guf em prol do Criador. A tela tem força suficiente somente para revestir e receber uma pequena porção da luz dentro do Toch, se compararmos com a luz com que Malchut era preenchida na Bechinah Dalet do mundo de Ein Sof. Os desejos vazios formam o Sof do Partzuf, enquanto a luz que não conseguiu entrar neles e foi deixada de fora, em torno do Partzuf, é chamada de Or Makif.
No mundo espiritual, todos os processos acontecem de acordo com uma relação de causa e efeito. Não há tempo, nada muda ou desaparece ali. Tudo o que existia continua a existir, e cada coisa nova simplesmente reveste o que existia. O que existia antes continua a existir e é a causa, enquanto tudo o que é novo torna-se sua conseqüência.
A tela que rejeitou o Or Yashar não evitou que ele se disseminasse em Malchut, mas apenas deu uma nova forma ao processo. Agora ele acontece como uma recepção parcial, com a ajuda de numerosos ‘Zivugey de Haka’a’ nos cinco mundos de AK, Atzilut, Beriah, Yetzirah e Assiyah.
Esse processo prossegue até a Correção Final, quando a Bechinah Dalet será corrigida em toda a sua perfeição. Então a luz da Infinidade se disseminará nela como acontecia antes do TA. Nesse processo, o Masach não introduziu nada que pudesse interferir na aquisição da perfeição.
A luz do Mundo da Infinidade não terá repouso até que preencha toda a Malchut. Até então, ela cerca a Malchut no exterior, como Or Makif, pronta para entrar, no instante em que a tela aparecer. A luminescência da Or Makif é capaz de corrigir Malchut e permitir que ela receba a luz no interior.
A luz bate na tela, porque assim é a sua natureza: assim como ela quis preencher a Bechinah Alef, do mesmo modo mais tarde ela constantemente deseja preencher o vaso de recepção – o ‘desejo de receber’. Por exemplo, às vezes o homem tem alguma espécie de desejo oculto; o prazer exterior toca esse desejo e o desperta, faz com que ele surja. Então o homem começa a sentir que esse prazer deseja entrar nele.
No mundo espiritual, cada ação é nova porque a criação faz um Zivug de Haka’a em cada porção do ‘desejo de receber’ que ainda não tenha sido envolvida na correção. Cada nova ação é efeito da ação precedente e a causa da ação subseqüente. A luz que emana do Criador é sempre única, sempre a mesma, simples luz, mas a cada novo desejo, o Kli singulariza várias espécies de prazer, em si mesmo, que correspondam a esse novo desejo.
Tudo depende do Kli. De acordo com suas propriedades interiores, ou desejos (queira ele receber em prol de si mesmo ou em prol do Criador, ou não queira receber nada), ele distingue certas espécies de prazer na luz. O vaso (o Kli) precisa ser criado de modo que ele seja capaz de selecionar todos aqueles numerosos prazeres na luz que estavam incorporados nele desde o início.
Por um lado, a luz que emana do Criador cria os Masachim, ou telas, que ajudarão no gradual preenchimento das diferentes partes de Malchut com a luz, e isso continua desse modo até o Gmar Tikkun. Por outro lado, precisamos dizer que a luz é a causa que faz emergir o desejo do Kli, em conseqüência do que ele precisa trabalhar duro para criar sua própria tela.
* NT: Embora, como nos foi explicado, a palavra Or – em hebraico, ‘luz’ – seja masculina, optei por continuar tratando essa palavra, nas traduções, como se fosse feminina, para facilitar a leitura para os leitores em português. Somente o plural dessa palavra, em hebraico, é feminino: orot, razão do uso feminino em todas as traduções precedentes. Por comparação, se tivéssemos que empregar, nos textos, no original a palavra inglesa, Light, que é neutra, diríamos ‘a Light’ – a luz - e não, ‘o Light’.
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