Pticha 36

 

Do Baal haSulam:

36) Depois do Partzuf AB de SAG ter nascido e completado seu desenvolvimento, formando o Rosh e o Guf, o processo do Bitush Or Pnimi be Or Makif recomeça nele, assim como no primeiro Partzuf de AK. Seu Masach de Guf (a tela de seu corpo espiritual) gradualmente perdeu toda a sua Aviut e fundiu suas propriedades com o Masach de Rosh.

Agora esse Masach se envolve em um Zivug entre a Luz Superior e a tela que está posicionada no Peh de Rosh. Assim o Zivug de Haka’a se renovou e deu nascimento a um novo Partzuf no nível de Binah, que é chamado SAG de AK. Ele é considerado conseqüência do Partzuf AB de AK, pois emerge por causa de um Zivug no Masach posicionado no Peh de Rosh. Os Partzufim, começando por SAG e daí por diante, emergem de acordo com o mesmo princípio.

Como se estabeleceu acima, o segundo Partzuf, AB do mundo AK, formou-se a partir de Galgalta; ele sentiu Bitush Pnim u Makif, expeliu a luz, então juntou a tela de Guf com a tela do Peh de Rosh.

Comentários de Rav Laitman:

Então AB sentiu a pressão daquelas duas luzes e comportou-se exatamente como Galgalta, isto é, começou a livrar-se de sua Aviut Guimel. Elevou o Masach de Guf ao Peh de Rosh, onde acontecem constantemente Zivugim, e tornou-se igual a este em suas propriedades.

Isso significa que ele parou de receber prazer em prol do Criador. Então acontece um novo Zivug de Haka’a nessa tela, mas numa nova porção de egoísmo, uma que corresponde ao nível de Binah. Assim se formou o terceiro Partzuf, SAG de AK.

Quando Malchut do Mundo da Infinidade fez o TA e estabeleceu a tela, havia quatro Bechinot entre ela e o Criador. A luz não pode alcançá-la através dessas quatro Bechinot, e Malchut entende que está absolutamente distanciada do Criador. Esse é o estado mais terrível, em que ela se dispõe a abrir mão da delícia infinita, cuja ausência revela-se como sofrimento, dor e amargura.

Agora, graças à tela, ela começa a ver a luz das quatro Bechinot e entende que o Criador quer que ela receba prazer. Ela faz um cálculo e recebe uma pequena parte da luz, desde o Peh até o Tabur. Assim que Malchut recebe essa pequena porção da luz, começa a sentir a pressão de Or Makif no Tabur, querendo entrar, sem dar atenção ao TA.

Malchut encontra-se então num impasse, pois ainda não pode receber a luz; então de algum modo deve livrar-se dessa situação. O caminho para sair disto consiste em retornar ao estado inicial. Porém, fazendo a primeira tela, ela já colocou uma cortina entre si e o Criador, criando assim o primeiro Partzuf e recebendo 20 por cento da luz. O que ela deve fazer quando os 80 por cento remanescentes da luz vêm a ela? A saída é tentar trabalhar com uma quantidade menor de egoísmo, em prol do Criador, e fazer uma tela para isto.

Por exemplo, Ruben pede a Simon para acordá-lo às 2 da manhã, de modo a que ele possa chegar na aula no horário (*Todos os dias, no centro de estudos do Bnei Baruch, em Ptach Tikvah, Rav começa as aulas às 3h da manhã, por isso os horários do exemplo). No dia seguinte, ele diz a Simon: ‘É tão difícil para mim acordar às 2 da manhã, por favor, me acorde às 3 da manhã’. No dia seguinte, lamentando por tudo isso, ele pede para ser acordado às 4 da manhã, e depois, às 5. Vendo que até mesmo isso é difícil para ele, ele deixa de ir às lições...

Se antes Malchut pôde assemelhar-se ao Criador em 20 por cento, agora ela tenta fazer isso num grau menor, fazendo uma tela para 15 por cento da luz (os números aqui servem estritamente como exemplo). Então, Malchut separa-se do Criador por duas telas, e assim, distancia-se ainda mais dEle.

Criando esses Partzufim, Malchut tenta assemelhar-se às Bechinot Shoresh, Alef, Bet e Guimel da Luz Direta, ou seja, às propriedades do Criador. Porém, o núcleo egoísta fez o Tzimtzum. Tornando-se semelhante ao Criador nessas Bechinot, ele por assim dizer isolou-se do Criador, criando um espaço vazio. Agora, estando espiritualmente vazio, ele pode olhar independentemente para o caminho de tornar-se como o Criador.

Embora nós dotemos esses Partzufim das propriedades de seres vivos, devemos entender que eles não são realmente vivos. Eles são telas que despertam, que protegem a delícia espiritual do desejo egoísta de receber prazer.

Somente a alma do homem, o que discutiremos mais tarde, sente o Criador; assim, somente a alma é um ser vivo. Todos os demais objetos são nada mais que robôs, programados pelo Criador para cumprir esta ou aquela função, que de algum modo esteja conectada com a correção do homem.

Todos os Partzufim recentemente criados, níveis, e seus estados prévios, existem ao mesmo tempo. Pode-se comparar com o exemplo de um filme. A parte do filme que já rolou desaparece de nosso campo de visão, mas ela existe, como que em um estado inanimado. Do mesmo modo, cada Partzuf prévio é como uma seqüência nesse filme.

O quadro inteiro, do primeiro ao último momento, é muito diverso. Nele, um grande número de ações acontece, mas todas elas juntas, porque os estados presente, passado e futuro, fundem-se, formando uma esfera, um sistema fechado. Os Partzufim mais inferiores podem influenciar os mais altos, porque através deles eles recebem luz do Mundo da Infinidade.

Por exemplo, o Partzuf AB, que recebe a luz de Galgalta, força Galgalta a mudar também, porque a luz que passa através de Galgalta já se torna similar às propriedades de AB, e isso também transforma Galgalta. Disso resulta a diversidade, interconexão e interdependência de todos os processos espirituais.

O último desejo de Malchut, que compreendeu que é absolutamente contrária ao Criador em suas propriedades, pois quer receber somente em prol de si mesma sem dar nada em troca, é chamado a verdadeira ‘criação’, ou ‘a alma’. Embora nós ainda não tenhamos chegado lá, essa parte de Malchut é o próprio ‘material’ do qual uma alma humana será criada mais adiante.

O resto não é criação, mas somente uma ferramenta auxiliar para a fusão da criação com o Criador. Essas forças ajudam o Criador a governar a criação. Há somente duas entidades existentes: o Criador e a criação. Tudo o mais é o sistema de sua comunicação, com cuja ajuda essas entidades se encontram.

Os Partzufim não praticam ações. Estando em um certo nível, e praticando ações correspondentes a este ou aquele Partzuf, os Kabbalistas vêem a luz que podem expulsar e por conseqüência a recebem interiormente. Todos os livros cabalísticos apareceram desse modo: um Kabbalista, ascendendo nos níveis espirituais, descreve em um papel suas sensações espirituais...

Todo o mundo de AK é similar à Malchut de Ein Sof, no nível de Shoresh; Atzilut é similar à Malchut no nível da Bechinah Alef; Beriah corresponde à Bechinah Bet de Malchut; Yetzirah, à Bechinah Guimel, e o mundo de Assiyah é similar à Bechinah Dalet de Malchut. A luz em Galgalta é Or Nefesh.

 

 

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