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1. Caros amigos!
A galopante crise global pede solução. Muitos renomados cientistas e
filósofos de todo o mundo estudam e pesquisam a crise, embora no
presente nós não possamos dizer que conheçamos sua causa, e mais
ainda, as ações que precisamos adotar para resolvê-la.
Hoje não podemos mais negar sua presença; abundam teorias e
sugestões relativas tanto à natureza da crise quanto aos meios para
sua eliminação. Nesta apresentação, vou tentar descrever o estado
presente da humanidade sob a perspectiva da ciência a que dediquei
os últimos trinta anos da minha vida – a ciência da Kabbalah.
2. Antigamente, o homem estava mais próximo da natureza e mantinha
intimidade com ela. Havia duas razões para isto:
O egoísmo ainda não desenvolvido não distanciava o homem da natureza
e fazia com que os humanos se sentissem uma parte integral dela;
O conhecimento insuficiente sobre a natureza evocava medo dela, e
forçava o homem a vê-la como superior.
3. Por essas duas razões, o homem aspirava não somente a acumular
conhecimento sobre os fenômenos do mundo circundante, mas também a
conhecer as forças que governam o mundo. As pessoas não podiam se
esconder dos elementos como elas fazem hoje, evitando as forças da
natureza em um mundo criado artificialmente. Seus órgãos sensoriais,
ainda não distorcidos ou degenerados pela tecnologia contemporânea,
eram capazes de sentir o mundo circundante com mais profundidade. O
medo da natureza e simultaneamente, a proximidade com ela, premiam o
homem a descobrir o que a natureza queria dele, caso haja algum
objetivo, e para quê ela criou os humanos. A humanidade aspirava por
entender isto o mais profundamente que fosse possível.
4. Os antigos cientistas compartilharam seus conhecimentos sobre a
natureza. Os Kabbalistas também compartilharam seus conhecimentos
com os cientistas. A Kabbalah estuda o sistema que governa nosso
mundo. Sua principal tarefa é explicar as causas e objetivos da
Criação.
Naturalmente, não estou me referindo àquilo que hoje se vende sob o
título ‘Kabbalah’, que lhe vem captando popularidade. A Kabbalah
autêntica é uma ciência séria que pesquisa a estrutura do universo,
e que forneceu conhecimento básico para várias outras ciências. Os
contatos entre Kabbalistas e antigos filósofos deram surgimento à
antiga filosofia, que se tornou a origem da ciência. Para honrar os
organizadores de nosso simpósio, eu escolhi propositalmente
afirmações de cientistas e estudiosos alemães sobre esse tópico.
5. Johann Reuchlin escreveu em seu livro De Arte Cabbalistica: ‘Meu
professor Pitágoras, o pai da filosofia, tomou seus ensinamentos de
Kabbalistas... ele foi o primeiro a traduzir a palavra Kabbalah,
desconhecida de seus contemporâneos, para a palavra grega
fisolofia... a Kabbalah não nos permite viver nossas vidas no pó,
mas eleva nossas mentes à altura do conhecimento’.
Por muitos séculos, a Kabbalah permaneceu um ensinamento oculto, uma
sabedoria secreta, dando surgimento a várias lendas e falácias sobre
ela, que confundem qualquer pessoa contemporânea que tente encontrar
as verdadeiras fontes.
Em particular, o grande matemático e filósofo, Leibnitz, escreveu
sobre isso em seu livro Hauptschriften zur Grundlegung der
Philosophie: “Como o homem não tem a chave correta para o segredo, a
sede por conhecimento ultimamente foi reduzida a toda espécie de
trivialidades e superstições que geraram uma espécie de ‘Kabbalah
vulgar’, que tem pouco em comum com a verdadeira Kabbalah, assim
como várias fantasias sob o falso nome de mágica, e é disso que os
livros estão cheios”.
6. A filosofia assimilou uma parte da Kabbalah e deu-lhe uma direção
diferente. Isso fez nascer as ciências modernas que pesquisam nosso
mundo material e suas leis dentro da conjuntura dos fenômenos
percebidos por nossos cinco sentidos.
Enquanto isso, os antigos ensinamentos, incluindo a Kabbalah,
permaneceram fora do escopo de interesses dos pesquisadores. O que
quer que a ciência fosse incapaz de compreender, o que quer que
permanecesse inatingível para ela, caía no domínio das religiões,
rituais e costumes. Os antigos ensinamentos foram gradualmente
esquecidos!
7. Ciência e religião são dois caminhos paralelos que a humanidade
seguiu investigando este mundo, tentando entender o lugar do homem e
suas possibilidades e definir o propósito da existência. Porém,
ambas as trilhas desviaram a humanidade de atingir a Força Superior
Governante, e da correspondência com ela. O homem estudou a natureza
não para aprender o que ela deseja dele, e então modificar-se, mas
para mudar e conquistar a natureza em prol de seu próprio egoísmo.
8. Crises em todos os domínios da atividade humana, desde a ciência
até os apuros pessoais, apresentaram as eternas questões sobre o
significado e o propósito da vida. Nós estamos começando a nos
tornar cada vez mais convictos de que não sabemos nada sobre a
natureza, a razão de nossa existência, o processo governante e o
propósito de nossa existência.
Os problemas nos levaram a aceitar a existência da Grande Sabedoria,
o Plano Superior na natureza. Como a ciência é incapaz de responder
às nossas questões, somos compelidos a procurar uma nova abordagem
para a natureza, o que nos leva a procurar a verdade em religião,
crenças e misticismo. A crise externa nos conduziu a uma crise
interna e nós nos encontramos confusos neste mundo.
9. O cativante interesse nesses ensinamentos, em explicar nossas
vidas não através da pesquisa científica mas sim usando todos os
tipos de métodos ‘sobrenaturais’, esteve subjacente pelos últimos 30
anos e agora está murchando diante de nossos olhos. Além de todos os
enganos, a humanidade ainda precisa testar, rejeitar e finalmente
esquecer os poucos sistemas de crença remanescentes.
Estamos em um tempo em que, através do misticismo, a humanidade está
redescobrindo as verdadeiras sabedorias antigas. A ciência da
Kabbalah, que vem se revelando nos anos recentes, deve desempenhar
um papel-chave nesse processo.
A Kabbalah surgiu por volta de 5.000 anos atrás na Mesopotâmia, o
berço da civilização, assim como todos os ensinamentos antigos. Foi
aí que a humanidade os redescobriu, antes de esquecê-los até nossos
tempos. Agora eles estão sendo redescobertos. Não é por coincidência
que onde era a antiga Mesopotâmia, agora esteja o centro do moderno
colapso das civilizações.
10. A evolução do egoísmo humano determina, define e de fato designa
toda a história da humanidade. O egoísmo em desenvolvimento
pressionou o homem a estudar o ambiente de forma a realizar seus
desejos egoístas cada vez mais intensos. Em contraste com a natureza
inanimada, vegetativa e animada de nosso mundo, os humanos evoluíram
sem cessar, em cada geração, e cada indivíduo, durante sua breve
existência.
O egoísmo humano evolui através de cinco níveis de intensificação.
Antigamente o homem não era egoísta o suficiente para se colocar em
oposição à natureza. Ele sentia a natureza e tudo o que o cercava, e
a sensação de reciprocidade era seu modo de comunicação com a
natureza. Em muitos aspectos era mesmo silenciosa, como na
telepatia, em um certo nível espiritual. Esse modo de comunicação
ainda pode ser encontrado em populações indígenas.
O primeiro nível do crescimento do egoísmo representou uma revolução
na espécie humana. Ele criou um desejo de modificar a natureza em
prol do homem, em vez de mudar o homem para que ele se tornasse
similar à natureza. Metaforicamente, esse desejo é descrito como o
desejo de construir uma torre que alcançasse o céu – para dominar a
natureza.
11. O egoísmo aumentado arrancou o homem da natureza. Em vez de
corrigir sua crescente oposição à natureza, o homem ousou imaginar
que ele poderia atingir o Criador egoisticamente, não através da
correção do egoísmo, mas sim dominando todas as coisas.
Então o homem colocou seu ‘self’ em contraste com o ambiente, oposto
à sociedade e à natureza. Em vez de perceber os outros como afins e
próximos, e a natureza como seu lar, os seres humanos deixaram de
compreender a natureza e aos outros. O ódio substituiu o amor; as
pessoas se distanciaram umas das outras, e a nação única do mundo
antigo foi dividida em dois grupos, que se espalhou para o leste e o
oeste. Subseqüentemente cada grupo dividiu-se em várias nações e
hoje, estamos testemunhando o início da reunião e reconexão em uma
única nação outra vez.
12. A Torah descreve isso alegoricamente (Genesis, 11:1-8 ) do modo
seguinte: “E toda a terra tinha uma única linguagem e uma fala. E
aconteceu, quando eles foram para o leste, que encontraram uma
planície na terra de Shinar; e eles habitaram ali... E disseram:
‘venham, vamos construir uma cidade, e uma torre, com seu topo no
céu, e vamos nos dar um nome, para não sermos dispersos pela face de
toda a terra’. E o Senhor veio ver a cidade e a torre que as
crianças dos homens construíram. E o Senhor disse: ‘Atentem que eles
são um povo, e têm todos uma única língua; e foi isto o que eles
começaram a fazer; e agora nada será retido por eles, do que eles
pretenderam fazer. Vamos descer e confundir sua linguagem, de modo
que eles não possam mais entender a fala um do outro’. Assim o
Senhor os dispersou daquele lugar pela face de toda a terra; e eles
deixaram de construir a cidade”.
13. Josephus Flavius escreveu que Nimrod pressionou o povo a
desafiar o Criador. Ele os aconselhou a construir uma torre mais
alta do que as águas pudessem alcançar, caso o Criador enviasse
novamente o dilúvio, e assim se vingariam do Criador pela morte de
seus ancestrais. Sem economizar zelo ou esforços, eles começaram a
construir a torre. Vendo que o povo não se corrigia após a lição do
dilúvio, o Criador fez com que eles falassem várias línguas. Eles
não entendiam mais uns aos outros e se dispersaram. O lugar em que a
torre foi construída hoje é chamado Babilônia, pois este foi o lugar
da mistura das línguas, em vez da língua única que havia antes.
14. No começo do século XX, um arqueólogo alemão, Robert Koldewey,
descobriu na Babilônia as ruínas da torre, que media 90x90x90
metros. Adicionalmente, Heródoto (por volta de 484-425 antes da era
comum) descreveu a torre como uma sétima pirâmide enfileirada, com a
mesma medida.
Fontes históricas contam que no centro da Babilônia, havia a
cidade-templo de Esagila, e perto dela, o templo da suprema
divindade, Marduk, a Torre de Babel. Ela era chamada Etemenanki, que
significa a pedra angular do céu e da terra.
Naquele tempo, Esagila era o centro religioso do mundo em sua luta
contra a religião monoteísta. A astrologia, os signos do zodíaco e
horóscopos, a adivinhação, vários misticismos, espiritualismo,
mágica, feitiçaria, encantamentos, maus olhados, evocação de
espíritos do mal – tudo isso se desenvolveu em Esagila. Essas
crenças ainda persistem, e particularmente hoje estamos
testemunhando sua irrupção final.
15. Desde aquele tempo, e durante os últimos 5.000 anos, o homem
confrontou a natureza, isto é, o atributo do absoluto altruísmo. Em
vez de converter seu sempre crescente egoísmo em altruísmo, em vez
da similaridade com a natureza, a humanidade erigiu uma cerca
artificial para se proteger da natureza. Para ajudá-la nessa
proteção, a humanidade tem desenvolvido ciência e tecnologia pelos
últimos 5.000 anos e isto é, de fato, o erguer da Torre de Babel.
Então, em vez de nos corrigirmos, nós queremos governar a natureza.
16. O egoísmo na humanidade tem crescido desde então, e hoje está
culminando. A humanidade desiludiu-se de satisfazer o egoísmo
através do desenvolvimento social ou tecnológico. Hoje estamos
começando a compreender que desde os tempos da crise em Babel, nós
trilhamos nosso caminho em vão.
Hoje particularmente, enquanto reconhecemos a crise e o ponto sem
saída de nosso desenvolvimento, pode-se dizer que o confronto do
egoísmo com o Criador é a atual destruição da Torre de Babel. Antes,
a torre de Babel foi arruinada pela Força Superior, mas hoje ela
está sendo arruinada por nossa própria conscientização, como se
fosse arruinada por nós. A humanidade está pronta para admitir que o
caminho que escolheu, para compensar sua oposição egoísta à natureza
através de tecnologia em vez de converter o egoísmo em altruísmo,
levou-nos a um ponto sem saída.
17. O processo que começou em Babel, de separação em dois grupos que
se distanciaram geográfica e culturalmente, está culminando hoje.
Pelos últimos 5.000 anos cada grupo evoluiu em uma civilização de
muitas pessoas diferentes. Um grupo é o que chamamos a civilização
ocidental, e o outro compreende a civilização oriental, incluindo
Índia, China e o mundo islâmico.
Não é por coincidência que hoje estamos testemunhando um colapso
titânico das civilizações, que ameaça a própria sustentabilidade da
humanidade. Esse é um dos fatores-chave na crise global. Além disso,
esse colapso reflete a culminância do processo que começou com a
queda da torre de Babel. Em Babel, a nação única foi dividida porque
o egoísmo separa seus membros, e agora está no tempo em que os
membros da nação única da humanidade devem reunir-se em um único
povo, unido. Hoje nós estamos no ponto de separação que ocorreu no
tempo de Babel, porém agora, estamos conscientes de nossa situação.
Segundo a sabedoria da Kabbalah, esse colapso, a crise global, e a
emergência do misticismo e superstição, são o começo da reconexão de
toda a humanidade em uma civilização nova e unida, similar ao seu
estado antes da torre de Babel.
18. Na época do desconcerto da Babilônia, a Kabbalah foi descoberta
como um conglomerado de conhecimentos sobre a causa e o crescimento
estágio por estágio do egoísmo humano. A Kabbalah estatui que a
natureza de tudo o que existe é um desejo egoísta por
auto-satisfação.
Porém, os desejos egoístas não podem ser satisfeitos em sua forma
natural, porque a satisfação de um desejo o anula, e como resultado,
ele não é mais sentido. Similarmente, a comida reduz a sensação de
fome, e assim, o prazer de comer gradualmente se extingue.
Mas como nós somos incapazes de existir sem contentamento, somos
forçados a desenvolver constantemente novos desejos, de modo que
possamos satisfazê-los. Senão, não haveria prazer. Essa busca sem
fim por prazeres constitui nossa vida inteira, embora o próprio
prazer seja impossível de atingir. No extremo, o desencantamento e o
vazio causam depressão e levam às drogas.
19. Se a satisfação anula tanto o desejo quanto a satisfação, então
sera mesmo possível experimentar satisfação duradoura?
Antigas sabedorias metaforicamente contam que o homem foi criado
como uma única criatura. Isto é, originalmente, todas as pessoas
estão conectadas como um único ser humano. E exatamente assim que a
natureza se relaciona conosco – como um único ser humano.
Esse protótipo coletivo foi chamado ‘Adam’, da palavra Dome
(semelhante). Em aramaico, a língua falada na antiga Babilônia, isso
significa ‘similar ao Criador’. Originalmente, fomos criados
conectados, no interior, como um único indivíduo. Mas como nosso
egoísmo cresceu, nós gradualmente perdemos a sensação de unidade e
nos tornamos crescentemente distantes uns dos outros. Finalmente,
nós chegamos a um ponto de ódio recíproco.
20. Segundo a sabedoria da Kabbalah, o plano da natureza é de que o
nosso egoísmo cresça até que reconheçamos nossa condição. Hoje a
globalização nos mostra que, por um lado, estamos todos conectados e
por outro, nosso enormemente externado egoísmo nos aliena uns dos
outros.
A razão pela qual nós fomos criados inicialmente como uma única
criatura, e então separados em indivíduos egoístas, distanciados,
destacados, é que este é o único caminho para nós vermos nossa
completa oposição ao Criador, e reconhecermos o atributo do absoluto
egoísmo que nós possuímos. Nesse estado nós vamos reconhecer sua
mesquinhez, sua natureza limitada e sua falta de esperança, e
viremos a detestar nossa natureza egoísta, que nos separa uns dos
outros e da natureza, e vamos desenvolver o desejo de união, de
transformar nossa natureza numa natureza oposta, altruísta. Então
vamos encontrar independentemente um caminho para nos transformar em
altruístas, e nos reconectarmos com toda a humanidade como um total
único, unido.
21. Assim como células egoístas que se reúnem em um único corpo
anulam seus egoísmos individuais em prol da existência do corpo e
como resultado, sentem a vida de todo o corpo, assim nós precisamos
atingir uma tal conexão entre nós. Então, conforme nosso sucesso na
unificação, sentiremos a existência eterna da natureza, em vez de
sentirmos nossa existência física atual.
O antigo princípio de ‘amar ao próximo como a si mesmo’ nos conclama
a fazer isto. Esse princípio esteve em vigor até a construção da
Torre de Babel, e foi mais tarde incorporado nos rudimentos de todas
as religiões que emergiram da antiga sabedoria babilônica, após a
destruição da Torre de Babel e a divisão do povo em nações e
estados. Cumprindo essa regra, cada pessoa deixa de ser um egoísta
isolado e vazio, e passa a sentir a vida do organismo total, Adam,
em similaridade ao Criador. Em outras palavras, nesse estado nós
sentimos a eterna, perfeita existência da natureza.
22. Especialmente agora, o altruísmo tornou-se necessário para a
sobrevivência da humanidade. Isso é porque agora está claro que nós
todos somos completamente interdependentes. Essa clareza faz surgir
uma nova definição de altruísmo: qualquer intenção ou ação que não
tenha origem no desejo de ajudar, mas sim na necessidade de conectar
a humanidade em um único total, é considerada realmente altruísta.
Segundo a sabedoria da Kabbalah, todas as ações altruístas que não
tenham por objetivo unificar toda a humanidade em um único corpo vão
se revelar como sem propósito. Adicionalmente, no futuro,
tornar-se-á evidente que não precisamos adotar nenhuma ação ou
praticar nenhuma correção na sociedade humana, apenas unirmo-nos em
um único corpo.
23. A transformação da atitude de cada um com relação aos outros
seres humanos, de egoísta para altruísta, eleva a pessoa à percepção
de outro mundo. Nós percebemos o mundo com nossos órgãos sensoriais,
e aceitamos o que aparece em nossos sentidos como nossa sensação da
vida. A percepção egoísta presente permite-nos sentir somente nossas
próprias impressões do ambiente. Corrigir nossa natureza vai nos
capacitar a sentir não o que acontece dentro de nós, mas sim o que
acontece fora, a completa natureza.
Então, percebendo o exterior em vez do interior de nós mesmos,
passaremos a perceber todo o mundo circundante, no lugar de um
fragmento dele. Ao final, descobriremos que o mundo à nossa volta é
uma única força altruísta da natureza.
Quando nos unimos a ela, nós sentimos nossa existência do modo como
a natureza existe – eterna e perfeita. Nós simpatizamos com essa
sensação, ela nos governa, e nesse estado, mesmo quando nosso corpo
expira, sentimos a nós mesmos como continuando a existir na eterna
natureza. Em tal estado, a vida física e a morte não afetam nossa
sensação de existência, porque a percepção interior e egoísta foi
substituída por uma percepção exterior, altruísta.
24. O Livro do Zohar, escrito há aproximados 2.000 anos, diz que
perto do fim do século XX a humanidade atingiria seu máximo egoísmo
e ao mesmo tempo, seu máximo vazio. O livro diz que nessa época, a
humanidade precisará do método de sobrevivência, de satisfação.
Então, diz o Livro do Zohar, chegará o tempo de revelar a Kabbalah
para toda a humanidade, como um método de atingir similaridade com a
natureza.
25. Corrigir um ser humano e toda a humanidade, atingir similaridade
com a natureza altruísta, não acontece de uma vez, e não
simultaneamente para todos. Ao contrário, a correção é possível na
extensão em que cada pessoa e toda a humanidade reconheçam a crise
global.
A correção começa quando a pessoa compreende que sua natureza
egoísta é a fonte de todo o mal. Subseqüentemente, ela passa a
procurar pelos meios para modificar essa natureza. A procura leva à
conclusão de que somente a influência da sociedade pode ajudá-la em
sua missão. Isso significa que se a sociedade mudar seus valores e
elevar o valor do altruísmo, somente isto propelirá a correção do
homem. Por altruísmo estou me referindo não à ajuda mútua, mas à
unificação de toda a humanidade em similaridade ao Criador, como o
único valor no mundo.
26. A sociedade deve elevar a conscientização humana ao nível da
compreensão de nossa responsabilidade coletiva. Isto é porque o
Criador Se relaciona conosco como uma única, unificada criatura –
Adam. O homem tenta atingir seus objetivos egoisticamente, mas hoje
a humanidade está descobrindo que precisa resolver seus problemas
coletiva, altruisticamente. A gradual exposição do egoísmo vai nos
compelir a implementar o antigo método da Kabbalah, que nós falhamos
em implementar na antiga Babilônia.
27. A fonte de todo o sofrimento que aparece no mundo é a oposição
do homem à natureza. Todas as outras partes da natureza, inanimada,
vegetativa e animada, seguem os mandamentos da natureza instintiva e
definitivamente. Somente o comportamento do homem o coloca em
contraste com a natureza inanimada, vegetativa e animada.
Como o homem é o ápice da criação da natureza, todas as outras
partes da natureza (o inanimado, o vegetativo e o animado) dependem
dele. Através da correção do homem, todas as partes da natureza,
todo o universo vão atingir seu nível inicial e perfeito, em
completa unidade com o Criador.
28. Segundo o plano do Criador, todo o universo precisa atingir esse
estado, e o tempo disponível para a correção é limitado. O Livro do
Zohar indica que a correção precisa ser implementada no início do
século XXI. Dessa época em diante, a humanidade será forçada a se
corrigir por sofrimentos cada vez mais intensos.
O reconhecimento do propósito da criação e do método de correção vai
nos capacitar a nos aproximarmos do objetivo conscientemente, mais
rápido do que de outro modo, o sofrimento nos forçaria a fazer.
Então, em vez de sofrer, nós sentiremos satisfação e inspiração
mesmo durante o tempo em que ainda percorremos o caminho da
correção.
Tudo depende de nossos esforços para explicar a causa da crise na
sociedade, e o modo para resolvê-la. Precisamos explicar que a crise
é necessária para alcançarmos o estado de ser mais belo, eterno e
perfeito. Explicar que esse propósito não é uma tarefa simples, mas
a crise crescente nos capacita a todos a perceber o processo como
necessário e vinculado a um propósito. O que faz nossa época
especial é que ao longo da crise crescente, agora está se abrindo
uma janela de oportunidade para a mudança. Nós somos capazes, e de
fato obrigados a explicar a crise como o estado ótimo para que
consigamos criar uma sociedade nova e correta. |