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Era uma vez um grupo de lagartas que vivam numa velha amoreira. Elas
nasciam de ovos, comiam um monte de folhas e terminavam suas vidas
como
casulos. As lagartas tinham um senso muito desenvolvido de
percepção,
mas nunca souberam de onde vinham os ovos, nem como eram criadas.
Elas
concluíram que eram originadas de ovos, porque viram seus irmãos
nascerem
assim. De qualquer modo, como as borboletas punham seus ovos à
noite,
as lagartas não tinham nenhuma pista sobre o que pudesse ser sua
origem.
Na verdade, mesmo que elas pudessem ver à noite, não poderiam
identificar uma borboleta, pois uma lagarta olha somente para baixo,
na direção
da folha que está comendo. As borboletas, por outro lado, tendem a
pairar sobre as folhas, raramente as tocam e mesmo então, somente o
fazem
com a ponta dos pés.
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A maioria das lagartas nem mesmo se preocupava em saber de onde os
ovos
vinham, ou se havia vida após a fase de casulo. Elas estavam
atarefadas
comendo as folhas mais verdes à sua volta. Suas conversas eram
principalmente sobre encontrar o melhor método de chegar ao topo da
árvore,
onde estavam as folhas mais frescas e saborosas. A lagarta de mais
sucesso
era aquela que conseguia a folha mais distante e verde. Às vezes,
até,
elas tinham que deixar a velha amoreira e empreender uma jornada até
a
árvore mais próxima, porque as folhas de lá pareciam mais verdes.
Mesmo
assim, depois de uma curta permanência, elas ficavam felizes em
voltar
para sua velha e boa árvore e para o sabor que lhes era familiar – o
sabor das folhas que seus ancestrais amavam tanto.
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As lagartas tinham medo de apenas duas coisas: um vento forte e
pássaros predadores. Um vento forte, especialmente um daqueles que
vêm
inesperadamente, podia sacudir fortemente as folhas da árvore e até
seus
galhos finos e frágeis. Uma lagarta jovem e inexperiente, que ainda
não
tivesse aprendido a se segurar firmemente, poderia com facilidade
encontrar-se flutuando no ar sem nenhum aviso prévio, no curto
caminho até o
solo. As poucas que sobreviveram ao trauma subiram novamente, usando
os
restos de suas forças, e juntaram-se ao grupo, mas nunca voltaram a
ser
como eram antes. De fato, elas se tornaram lagartas muito estranhas.
Algumas delas falavam de espécies diferentes de seres flutuantes que
elas
teriam visto enquanto caíam, e que elas chamavam de borboletas. Elas
descreviam a forma e a cor dessas borboletas de um modo que nenhum
das
outras lagartas, nem mesmo as mais velhas, podiam entender. Em vez
de se
ocuparem com a meta principal, de subir ao topo, elas começavam a
olhar
para cima e a formular questões estranhas, como "de que material é
feito o ovo?", ou "o que acontece a uma lagarta velha e satisfeita,
que se
torna um casulo?" etc. A turma costumava chamá-las pelas costas de
"lagartas voadoras".
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Pássaros predadores apareciam do nada. Você poderia estar comendo
pacificamente o restinho duma folha suculenta, junto com seu melhor
amigo,
quando de repente, sem nenhum aviso, você via um bico gigante
catá-lo
pelo pescoço e arrastá-lo para o céu. Então você sabia com certeza
que
nunca mais o veria. Diferente das sobreviventes de tempestades,
nenhuma
lagarta nunca voltou do país dos pássaros, nem mesmo a mais
astuciosa.
As únicas medidas que as lagartas conheciam contra os raptos de
pássaros eram preventivas. As mais idosas ensinavam aos jovens que
não fossem
muito conspícuos. "Você pode se pendurar numa folha pela parte de
baixo", - uma idosa diria a seu jovem aluno, - "onde os pássaros não
te
vêem. Mesmo assim, você corre o risco de cair com o primeiro vento.
A
segunda regra que você deve recordar é que nas extremidades da
árvore você
fica mais exposto, então é melhor ficar dentro da parte mais densa,
perto do centro da árvore". – "E se eu quiser chegar ao topo e comer
uma
folha verde e fresca?" – perguntava o aluno ocasionalmente. – "Então
você
deve saber que estará correndo um grande risco," – respondia a
idosa, -
"de cair ou de ser devorado".
A terceira regra que a idosa repetia era a de se mover lentamente.
As
folhas não saem correndo. "Então, lembre-se – quem se move muito
rápido,
às vezes não volta".
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Avri nasceu de um ovo cinzento, o que era um sinal certo de que se
meteria em confusões. A maior parte das lagartas que nasceram de
ovos
cinzentos nunca chegaram a casular. De fato, a primeira questão que
ele
perguntou quando saiu do ovo foi: "qual é o caminho mais curto para
o
topo?". Em vão as lagartas mais velhas tentaram pará-lo. Ele queria
crescer
rápido e conseqüentemente, cometeu todos os erros que estavam ao
alcance de uma lagarta.
Ele se movia depressa, comia folhas que encontrava no caminho, perto
do
tronco, e na maior parte das vezes as escalava. Ele simplesmente não
tinha tempo para ir para o lado de baixo da folha. Ele tinha somente
uma
meta: chegar ao topo. Quase todas as lagartas que ele encontrava no
caminho o avisavam para ir com calma, relaxar e tomar cuidado, mas
ele não
queria ouvir. Por duas semanas e meia ele escalou galho por galho.
Suas
pernas se fortaleceram, sua mandíbula engrossou e suas unhas se
afiaram. Ele estava mais para magro, porque não comia muito e
gastava muita
energia na fatigante caminhada, mas a cada passo ele olhava para
cima e
via mais luz do sol, o que o encorajava.
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As folhas se tornavam cada vez mais verdes e através delas, ele
podia
ver pedaços azuis do céu. Ele viu muitas lagartas que tinham subido
parte do caminho e pararam. Elas tinham tanto medo que ficavam
satisfeitas
em alcançar a quarta parte da árvore. Pouquíssimas quase chegaram ao
topo, mas desistiram. Ele achou muito difícil compreendê-las. "Vocês
gastaram tanta energia" – ele dizia a elas enquanto andava, - "por
que
vocês não tentam mais um pouquinho, para sentir o sabor do topo".
Ele ouviu toda espécie de desculpas. "Estou muito cansada, estou com
fome, as folhas aqui são mais verdes de qualquer forma, não existe
realmente nenhum topo da árvore, a árvore está crescendo mais rápido
que
nossa escalada, e fazer mais que isso é loucura". Quando ele atingiu
a
folha mais alta, viu uma lagarta gorda e cinza mascando sua
extremidade
tranqüilamente. "Posso acompanhar você?" perguntou educadamente, "É
claro", respondeu a lagarta e continuou mascando. Foram suas últimas
palavras, porque de repente, sem nenhum aviso, ele viu a lagarta
indo embora,
esperneando entre as duas partes pretas do bico que a prendia. Avri
ficou tão apavorado que suas pernas fortes não conseguiram mantê–lo
na
folha. A lenda diz que o bico cortou a parte da folha em que ele
estava
sentado, o que o ajudou a amaciar a queda.
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Quando chegou ao chão, ele tentou entender o que tinha acontecido.
Apesar da queda ter durado poucos segundos, aconteceram tantas
coisas
bonitas no caminho que o medo o abandonou completamente e ao
contrário, ele
sentiu um grande prazer. Primeiro, viu as outras lagartas que
estavam
ocupadas comendo, com suas cabeças voltadas para baixo. Ele as
chamou
mas nenhuma ouviu, o som de suas mandíbulas era alto demais. Perto
dali,
viu belas criaturas coloridas voando perto dele entre as folhas,
abraçando-se ou pondo ovos. Essas devem ser as borboletas, disse a
si mesmo.
Podia quase jurar que as ouviu falar entre si, ou talvez algo que se
parecia mais com um canto, e era um prazer incrível escutar essa
música.
Eu devo ter morrido e ido para o mundo vindouro, começou a pensar,
quando o choque violento com uma folha caída no chão o trouxe de
volta à
realidade de uma simples lagarta cinzenta que ele havia deixado
alguns
segundos atrás.
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Depois de uma longa e exaustiva jornada, que seria uma história à
parte, Avri conseguiu voltar para a comunidade das lagartas. Logo
percebeu
que não havia ninguém com quem pudesse conversar. Não se importava
mais
com as folhas verdes, e até mesmo o topo da árvore estava distante
dele. Decidiu que queria se tornar uma borboleta. Alguma coisa se
soltou
dentro da sua cabeça durante a queda, disseram a ele, deixe-nos em
paz e
vá se transformar num casulo. Embora isso fosse uma maldição no
mundo
das lagartas, um sujeito como Avri não levaria a sério coisas dessa
espécie, ditas num momento de raiva. Começou a estudar o fenômeno de
casular; lembrou-se que as borboletas pareciam muito com as
lagartas, mas
tinham asas. Seria possível que elas fossem apenas lagartas com
asas? A
conclusão mais definitiva a que chegou, logo no início de seu
estudo, é
que ninguém havia estudado isso antes. A razão é que isso não
interessava a ninguém. Se eles tivessem realmente conferido, teriam
descoberto
que dentro do casulo não havia nenhum traço de uma lagarta. Então o
que
fazia todas as lagartas desaparecerem? Elas simplesmente evaporavam?
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Avri decidiu grudar-se a uma lagarta velha e estudar o processo de
perto. Ele viu como a lagarta tornava-se mais gorda e satisfeita a
cada
dia, e ouviu sobre o quanto ela estava cansada de comer folhas, e
não se
entusiasmava nem que lhe trouxessem a folha mais fresca do topo da
árvore. Então, inesperadamente, ele ouviu que a lagarta queria
casular. Esse
é um processo natural, disse a lagarta, e começou a tecer seu
casulo.
Faça-me um favor, implorou Avri, se depois do casulo você se tornar
uma
borboleta, volte e me avise, ok? Deixe de bobagem, disse a lagarta
velha, nós dois sabemos que o casulo é o fim. Avri continuou
implorando,
até que a outra concordou, pelo menos para não ser perturbada
enquanto
tecia seu casulo. Dois dias depois a lagarta velha foi encontrada
numa
cápsula que se tornava rapidamente cinzenta, até que finalmente
desapareceu dentro dela.
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Avri não desistiu, pois seus genes cinzentos lhe davam a qualidade
da
persistência e ele a usou até o fim. Esperou dias e noites ao lado
do
casulo silencioso, e não ouviu os pedidos de seus amigos para que
voltasse à vida normal. Eu não sinto prazer nenhum nesse mascar
monótono, ele
respondeu, e se eu estou destinado a me tornar um casulo, quero
saber,
no mínimo, aonde vou acabar.
Ele quase não dormia, de medo que alguma coisa acontecesse enquanto
estivesse adormecido, e nas noites escuras, quando não conseguia
enxergar
muito, deitava-se ao lado do casulo frio de modo que qualquer
movimento
o despertasse. E foi então, no momento em que as primeiras sementes
da
dúvida começaram a crescer, e a fome já estava quase vencendo seu
estômago vazio, que aconteceu: o casulo começou a mover-se.
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A descoberta o hipnotizou. Começou a se formar uma rachadura na
cápsula
do casulo. A rachadura tornou-se maior e uma pequena cabeça preta
surgiu lá de dentro. Poucos segundos depois a cápsula se sacudiu com
tanta
força que Avri recuou, assustado.
A cápsula tinha se partido no meio e um par de asas coloridas,
iguais
àquelas que ele tinha visto durante a queda, esparramaram-se
completa e
gloriosamente para os lados, flutuando levemente no ar e carregando
uma
delgada borboleta para o além, no céu azul acima.
Avri estava maravilhado e seu coração batia forte. Ele olhou em
volta
para partilhar a experiência com suas amigas lagartas, mas nenhuma
havia
notado o acontecimento. Estavam muito ocupadas mascando,
escondendo-se
dos pássaros e olhando para as folhas verdes.
Ele quis gritar, "olhem, eu tinha razão". Mas sabia que ninguém ia
ouvir. Avri sentiu uma grande fraqueza espalhar-se por seus membros.
Os
longos dias de espera, a experiência poderosa, o desapontamento e a
solidão haviam deixado sua marca. Perdeu seu apetite pelas folhas,
levantou
suas mãos para cima como se esperasse ajuda e começou a mergulhar
numa
profunda indiferença.
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Quando acordou, ele não pôde entender onde estava. O som de cantos
suaves o lembrou de sua primeira queda, mas agora, estava mais claro
e mais
próximo. As folhas da árvore passavam por ele rapidamente, mas para
sua
surpresa, passavam da esquerda para a direita, e não para cima.
Talvez
eu tenha sido apanhado por um pássaro? Mas então, como não estava
ferido, afastou esse pensamento. Olhou para trás e viu aqueles olhos
que
pareciam familiares. Sim, eram os olhos da velha lagarta que tinha
casulado. Eu prometi a você, e mantive minha promessa, cantou a
velha, e
sorriu. "Por que você está cantando? - ele perguntou, - "e o mais
importante, onde eu estou?"
Estou cantando porque essa é a minha natureza agora, e eu estou
segurando você, nós estamos voando. Avri não conseguia apreender
toda a
maravilha de suas percepções. A borboleta subiu e mostrou a ele pela
primeira
vez como parecia a amoreira, vista do alto.
Ele viu as partes verdes e as partes roídas, as multidões de
lagartas e
as lagartas solitárias no topo, e até viu as árvores vizinhas. "Onde
você quer que eu te deixe?" – perguntou a velha lagarta cantando. "Quem
quer descer", - respondeu Avri, zumbindo a mesma melodia.
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Apesar deles terem aterrissado em um dos galhos mais populosos,
ninguém
os notou. Bem perto deles havia uma borboleta fêmea adulta pondo
ovos.
"Então é assim que se faz?" – perguntou Avri. A borboleta fêmea
sorriu,
radiante: "Que privilégio eu tenho, de estar falando com uma
lagarta!"
– "O que você quer dizer?" – perguntou Avri. "Eu nunca falei com uma
lagarta" – ela respondeu, - "quer dizer, desde que deixei de ser
uma".
"Então por que você não convida todas as lagartas para dar uma volta
acima da árvore? – Avri perguntou. "Isso é o que nós mais queríamos"
– ela
respondeu, - "mas simplesmente não podemos". – "Então, como foi que
vocês me pegaram?" – insistiu a lagarta cinza. "Porque você queria"
– ela
respondeu, e saiu voando. A lagarta velha acrescentou: - "Você
levantou
as mãos porque essa era a única coisa que você queria, e nada mais.
Você acreditou que ia conseguir, e assim, com as mãos levantadas, eu
pude
segurar você; lembre-se disso" – e saiu voando também.
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Avri teve várias horas de vôo depois daquele dia em seu destino.
Quando
chegou o tempo, ele aprendeu melodias diferentes e conheceu diversas
outras borboletas. De cada uma ele aprendeu alguma coisa sobre o
mundo
das borboletas e apreciou isso tremendamente. Mesmo quando ele
voltava
para mascar folhas, descobriu um sabor completamente novo, que nunca
havia conhecido antes, a que chamou de "sabor-alvo". Ele havia
encontrado
pela primeira vez em sua vida uma boa razão para o mascar monótono.
Compreendeu que se comesse bastante, ele se tornaria forte o
suficiente
para voar por um tempo mais longo e que isso daria prazer às
borboletas
que queriam levá-lo para passear nos vastos espaços abertos.
Experimentou
o prazer que dava a elas e não havia fim para sua felicidade, mesmo
que, quando chegou a época, ele também tenha sentido uma crescente
piedade
por suas irmãs lagartas. "Se pelo menos elas soubessem o que estão
perdendo", - pensou, - "elas levantariam suas cabeças imediatamente
e
olhariam somente para as asas das borboletas, parariam de mascar
para ouvir
os cantos das criaturas voadoras, e juntariam as mãos em completa
confiança de que não iriam cair, já que alguma borboleta certamente
as
pegaria antes que chegassem ao solo". E assim ele sentiu sua solidão
crescendo entre suas companheiras lagartas, ao mesmo tempo em que
crescia sua
felicidade no mundo das borboletas. "Tenho certeza de que posso
explicar isso a elas," – pensou, e decidiu enfrentar um novo
desafio: ensinar
às lagartas sobre o mundo das borboletas. "Pode ser que eu seja uma
lagarta especial mas deve haver outras como eu que querem, mas não
sabem o
que querem, e que estão sentindo o caminho à sua volta como cegos na
escuridão. Eu vou mostrar a elas o caminho. Eu não posso forçar
ninguém,
mas pelo menos, vou saber que tentei ajudar quem quer que precisasse
de
ajuda".
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Mesmo quando chegou a vez de Avri, ele aceitou isso em completa paz
e
tornou-se um casulo, sabendo que havia cumprido sua meta como
lagarta da
melhor maneira possível, até o fim. Ele deixou mapas detalhados da
estrutura da árvore e da floresta, instruções sobre os modos mais
curtos e
mais fáceis de chegar ao topo, uma anatomia detalhada da estrutura
de
uma borboleta, o modo como os ovos eram postos, como eles
amadureciam e
até um mapa de zonas de alimentação protegidas e recomendadas. Ele
sabia que se nascessem outras lagartas com o desejo forte, elas
poderiam
usar os mapas que ele deixou. Na verdade, a maior parte das lagartas
passou a usar os mapas para encontrar as zonas de folhas verdes.
Poucas os
usaram para encontrar seu caminho para o topo. Menos lagartas ainda
usaram os escritos para estudar a estrutura do ovo e do casulo, e
somente
alguns indivíduos começaram a perguntar a si mesmos: "Como ele
chegou a
esse conhecimento? Onde ele encontrou soluções tão simples para
problemas tão complexos? De onde vêm todas essas melodias? Nós
também podemos
entrar em contato com a mesma fonte de conhecimento?"
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Avri foi a primeira de uma dinastia de lagartas voadoras. Aquelas
que
nasceram depois dele atravessaram os mesmos processos e cada uma
atualizou e renovou os desenhos de suas antecessoras. Elas
descreveram o mundo
das borboletas para aquelas que viriam depois delas, especialmente
para
despertar seu desejo, para aumentar sua necessidade de levantar as
mãos
em fé completa. Elas sabiam que as borboletas amam as lagartas mais
do
que as lagartas possam imaginar. Elas sabiam que viria um dia em que
todas as lagartas voariam com a ajuda das borboletas e que então
haveria
completo contentamento em ambos os mundos, das lagartas e das
borboletas. Elas esperaram por esse dia e fizeram tudo o que estava
em seu poder
para que ele se aproximasse.
"Qualquer lagarta pode comer, mas aquela que quiser, pode comer
tudo".
Avri – a lagarta voadora.
Autor: Gilad Shadmon
Tradução para o inglês: R.Ovadya
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