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“Estar satisfeito com pouco” significa
desenvolvimento espiritual?
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Por que as pessoas começaram a fugir das
casa de oração em direção ao grande mundo aberto?
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Por que a Cabalá não diz “é proíbido” ou
“tenha vergonha”?
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Por que as pessoas usam drogas?
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Como começo minha correção (“tikun”)?
O objetivo é
restringir ao mínimo o uso dos cinco sentidos em favor do sexto
sentido? Viver realmente através desse sexto sentido e usar os cinco
sentidos só para respirar, comer, etc?
Não. Ao contrário,
dado que não há nada que venha de Cima que não tenha sido criado por
alguma razão. Ao contrário, todas as coisas que desceram aqui, de
sua origem ao momento de sua ascensão, existem sob uma forma ainda
mais refrescante e maior, todos os desejos são muito grandes,
inclusive os mais animais.
Você verá como vai
quer comer muito mais. Também verá a mesma intensidade nos outros
prazeres. Por que isso acontece? Não é uma piada, assim como está
escrito nos livros de Cabalá de forma explícita. Na Cabalá, não há
nada que esconder, estamos falando de almas. Na verdade, vamos
desenvolver o espaço para o prazer. Se a pessoa tem lugar só para um
pequeno prazer, então não necessita de mais nada: como o justo que
só necessita de um copo de água e um pedaço de pão, pela vontade do
Criador, isso é tudo.
Disso não será
formado um cabalista. Um cabalista deve absorver o mundo inteiro,
pouco a pouco, sentindo-o através da Luz que vem até ele. E essa
ideia – Cabalá (que em hebraico significa receber) – não quer dizer
deixar de receber. Ao contrário, a Sabedoria da Cabalá explica que
devemos receber e ter o máximo de prazer, da forma mais perfeita, na
medida das nossas possibilidades. Essas idéias são complicadas mas,
não obstante, necessitam de uma verdadeira sabedoria.
Para começar, tudo o
que aprendemos tem como objetivo desenvolver nossa capacidade de
receber.
Deus não nos obriga
a diminuir a atividade dos nossos sentidos. É proibido a um
estudante de Cabalá se retirar da sociedade ou deixar seus costumes
de lado. Ele deve continuar vivendo normalmente.
A Cabalá quer que
nos casemos, que vivamos normalmente, que trabalhemos, que sirvamos
no exército e que cada membro faça o que os de sua geração fazem.
Está escrito: “Eu pertenço a meu povo”. Quer dizer, que devo viver
de acordo com a minha geração.
Eu vi isso no meu
rabino. Quando ia comprar alguma coisa ou trazer algo em particular,
ele tinha o costume de dizer: ”Busque à sua volta, pergunte a
quantos puder e me traga a opinião geral de tudo que as pessoas
pensam e seus costumes. Senão, não vale a pena".
Costumava ser assim
até nos menores assuntos, até o momento de sua admissão no hospital.
Às vezes não tínhamos alternativa a não ser pegar um quarto
particular, mas em geral pegávamos um quarto comum como todos os
outros. Existe aqui um princípio de oposição: quem unicamente
utiliza algo de especial para si mesmo e não serve a todo mundo, se
empobrece.
Em outras palavras,
isso significa que você deve continuar vivendo como de costume e não
se imponha nenhuma restrição, porque isso não é parte da Santidade.
Ao contrário, temos
duas atitudes em relação a este mundo: há um enfoque chamado
“educação pela moral” e outro chamado “educação para o
desenvolvimento interior”. A moral nos diz: "não é bom, tenho
vergonha de você, não faça, não faça isso, não faça aquilo, seja
comedido, não toque, etc". Isso limita o homem e não deixa que ele
se desenvolva. Está certo manter o "povão” com rédeas curtas.
Quem quer governar
uma nação usa exatamente esse enfoque. E, na verdade, até o momento,
isso funcionou, porque as pessoas ainda não tinham se desenvolvido
tanto. As almas ainda não tinham chegado ao nível da última geração,
ou seja, seu gene espiritual ainda não tinha começado a despertar.
Se chegou a um ponto
no qual se tem que nutrir o centro, o ponto no coração. Antes disso,
o enfoque moral trabalhava bem, ajudava as pessoas, todos eram
religiosos, todos iam à sinagoga e voltavam para casa para estudar,
tudo era agradável.
Até que chegou a um
ponto que a vontade de receber cresceu, esse gene espiritual já
havia se realizado quase completamente. Permaneceu dentro de nós só
para abrir o sexto sentido e entrar no mundo espiritual.
Vemos por nós mesmos
que isso já não funciona. A educação moral já deixou de ser útil e
não podemos mais dizer para alguém “isso não está certo”. Se
fizermos isso, mais cedo ou mais tarde essa pessoa não terá nenhuma
opção a não ser começar a se drogar. E uma vez dentro, ela está
perdida. Não há nada que se possa fazer; devemos deixar que ela se
desenvolva.
É por isso que a
Cabalá nos ensina a não dizer “isso não está certo”. A não limitar
uma pessoa de nenhuma forma, ao contrário. Diferentemente do método
da moral, segundo o qual “este mundo não vale nada, não possue nada
que é necessário para nós, vamos nos ocupar somente da
espiritualidade”, a Cabalá diz: "não, esse mundo é muito bom e
podemos nos gratificar nele". E, de fato, todos podemos.
Pode ser que você
seja incapaz, ou que não possa ou tenha a oportunidade. Essa é outra
história. Mas não acuse o mundo disto. Você tem que descobrir por si
só que a espiritualidade é maior, mais rica e atraente do que todas
as riquezas materiais.
Por que a moral não
é capaz de fazer isto? Porque “não se abre ao mundo espiritual”. Não
é capaz de dizer a uma pessoa: "olha, você deve preferir isso em vez
daquilo"; "olha, está claro que existe uma espiritualidade". Isso é
exatamente o que a Cabalá faz: abre o mundo espiritual ao homem da
melhor maneira possível, sem nenhuma limitação. Não há nenhuma
coerção na espiritualidade, é
uma lei muito importante. Ninguém é obrigado a nada.
À medida em que o
indivíduo entra no conhecimento do sexto sentido, ao mesmo tempo
começa a ser aos poucos mais crítico com os cinco sentidos e
perceber em que medida está numa ilusão. Eu diria que isso não é
exatamente uma ilusão; se colocarmos os cinco sentidos sobre o sexto
sentido, realmente o vemos como uma perspectiva. Pode ser que
perguntemos a nós mesmos: por que o sexto sentido é só um? Gostaria
de ter vários canais, como neste mundo.
A verdade é que o
sexto sentido também tem cinco canais, chamados de cinco Sefirot:
Keter, Chochmá, Biná, Tiferet e Malchut. As impressões que
recebemos neles também são chamadas de Cinco Luzes: Nefesh,
Ruach, Neshamá, Hayá e Yechidá.
Na espiritualidade,
eles são chamados somente de: visão, audição, olfato, paladar e
tato. Nós é que os chamamos de sentidos.
Por quê? Porque
recebemos tudo em um pacote. Em nosso mundo podemos ser cegos, que
Deus não o queira, ou surdos. Na espiritualidade não é possivel – se
você recebe, recebe o pacote enteiro, o NRNHY inteiro (Nefesh,
Ruach, Neshamá, Hayá, Yechidá), e logo os sentidos se vestem um
sobre o outro e, dentro, criam uma impressão, uma imagem inteira,
perfeita.
Não há ninguém
nascido neste mundo que receba uma impressão e exaltação desses
cinco sentidos e não faça algo com eles. Digamos que vamos de um
lugar para outro sem um sentimento de espiritualidade, sem o
entendimento da espiritualidade, inclusive não temos nenhum desejo
dele. Suponhamos que vivo num povoado, meu pai era um pastor, eu
também sou um pastor como ele e também meu filho e meu neto e assim
é como gira e gira.
No final das contas,
isso é exatamente o que nós fazemos. A pergunta é a seguinte:
fazemos algo importante, vivendo neste mundo, pelos cinco sentidos?
Ou somos somente receptores e emissores de informação e, no final,
não servimos para nada? Não. Nós utilizamos nossos arquivos. Temos
sempre, em todo e em cada registro, nosso préprio NRNHY pessoal,
nossas inscrições, que quando se juntam, nos dão uma imagem perfeita
do princípio ao fim, numa só imagem.
Nossa vida inteira,
esta vida e todas as precedentes, não passaram sem sentido, o homem
não vive por acaso. Por isso é proibido desprezar até mesmo o homem
mais baixo. Esse desprezo pode ser expressado neste pensamento: Por
quê o homem não faz uso das oportunidades que lhe foram dadas para
se envolver com a espiritualidade? É preciso se esforçar para para
fazê-lo pegar esta espiritualidade sem desprezá-lo. Mas simplesmente
desprezá-lo? Não.
Ao contrário,
Baal HaSulam disse que a existência do menor piolho ou do menor
inseto, por pouca importância que tenha, ainda sim é necessária.
Eles foram criados e escolhidos para realizarem suas partes, mesmo
que ínfimas, na Vontade Geral.
Não satisfazendo a
vontade inteira em todos os seus detalhes, não obteremos resultados.
Por isso, não devemos desprezar as pessoas que ainda não estão
comprometidas com a espiritualidade. Temos que ajudá-las, sim.
Ajudando os outros, ajudo a mim mesmo, porque estamos relacionados
com o mesmo sistema.
Se a Cabala
desenvolve o lugar do prazer, então qual é o sentido da restrição?
O Criador criou o
desejo de receber. Qual é o significado do distanciamento do desejo
de receber em relação ao Criador? O desejo de receber não muda, é
impossível restringí-lo; se restringe quando recebe a abundância.
Havia aqui um espaço enorme para receber a Luz e rapidamente se
fechou. Isso é o que chamamos de restrição. Não é a restrição do
desejo de receber por si só. Sua força é totalmente conservada, sua
forma é a mesma. Simplesmente, se produziu uma restrição. Isso quer
dizer que não se fechou e sim que se cobriu com uma tela.
Como abrimos essa
tela? A tela que existia antes não era apropriada. Necessitamos
abrí-la com a finalidade de elevar-nos. Não para receber aqui em
baixo, mas sim para que cada recepção corresponda a uma elevação
sobre os cento e vinte e cinco degraus da escada.
Com o que começou a
minha correção? Faço a restrição, digamos a Primeira Restrição, e em
seguida me abro, o possível para elevar ao máximo meu estado
presente, e ainda mais alto, de forma que tudo se mova sem parar. Só
fazendo isso nós poderemos começar a abrir a tela.
Se eu posso receber
a Luz e progredir em direção a ela, então me abro para a recepção da
Luz. De outra forma, permanecerei no meu estado presente até que
receba poder suficiente para o que eu fui chamado – a tela, com o
objetivo de receber para o desenvolvimento. |