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Existe ligação entre as ilusões do nosso
mundo e as ilusões da espiritualidade?
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Quando começo a realizar os reshimot
(registros) espirituais?
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Por que há menos suicídios nos países
subdesenvolvidos?
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Como educar as crianças para ajudar no seu
desenvolvimento sem as reprimir?
Existe ligação entre
a vontade de receber espiritual, a tela, a Luz Superior, o prazer
espiritual e o que nós sentimos neste mundo, quer dizer, nossos
cinco sentidos?
Não há nenhuma
ligação. Porque este é o nosso mundo. O que quer dizer "não tem
nenhuma ligação"? Muito simples: os prazeres que eu posso receber
através dos meus cinco sentidos, eu recebo sem tela (massach),
eu os recebo de acordo com minha vontade de receber, que depende dos
meus registros (reshimot) na origem do prazer e eu não
preciso fazer nenhum trabalho nesse aspecto. Eu preciso trabalhar
sobre este aspecto só para acordar esse reshimo (singular de
reshimot) – se tenho reshimo pequeno, que seja um
pouco maior. Digamos, eu quero comer, mas não o bastante. Mas eu
trabalho com essa vontade de receber. E essas entradas, e a entrada
do sexto sentido, não dependem um do outro.
Se pode ser um
grande cabalista e trabalhar com o sexto sentido, com a tela, em
degraus muito altos, e ainda ter prazer com todos os nossos cinco
sentidos, não tem nenhum problema.
Isso não anula os
cinco sentidos?
Isso não anula
os cinco sentidos. Ao contrário, o Final da Correção é quando
você se encontra no mais alto degrau e também se encontra em seu
próprio corpo, neste mundo, e combina dentro da sua alma esses dois
pontos contrários em um só. Realmente faz ordem entre eles. Aí,
diz-se que você realmente realizou o objetivo da Criação.
Como estas duas
espirais estão ligadas ao ponto do coração, e ao reshimo
material?
Falamos sobre isso.
Nós temos vários níveis de desenvolvimento ou o que se chama de
reencarnações. Temos muitas reencarnações nas quais realizamos
reshimot animais. Entre eles estão desejo de prazeres materiais
antes de tudo, que tanto homens quanto animais têm: desejo de
comida, de família, de sexo, de casa e de grupo. Depois, vem o
desejo de dinheiro. Depois, de respeito e, por fim, de aprendizado.
Depois que o homem
realizou todas esses desejos, aí vem o desejo de espiritualidade.
Não é que essas coisas são cortadas assim, que eu passe exatamente
de um para o outro, de prazeres materiais para dinheiro e aí eu
quero só dinheiro e o que pertence à comida já não me interessa
mais. Não! Na verdade, desenvolvi o desejo anterior o bastante para
desenvolver em mim agora outro desejo, o por dinheiro. Depois que
desenvolvi desejo por dinheiro de certa forma (e cada um de forma
pessoal de acordo a estrutura de sua alma), começo a trabalhar com a
honra. De repente, tenho vontade de trabalhar com a honra e quero
ser um parlamentar ou algo paracido. Não é que eu esqueça do
dinheiro ou dos prazeres materiais, simplesmente todos trabalham
juntos. Desenvolvi os desejos de forma suficiente para que, agora,
eles se desenvolvam mais ainda através também da honra e assim por
diante. O mesmo acontece com o desejo de espiritualidade. Junto com
ele, os prazeres anteriores são ainda mais desenvolvidos. Quando
estou em desenvolvimento espiritual, honra, por exemplo, atrapalha
muito. Isso quer dizer que o desejo, como todo distúrbio, vem para
iluminar os meus aspectos imperfeitos, etc.
Quer dizer, esses
sentidos vão sempre juntos com o cabalista. Está escrito: "Todo o
que for maior que o próximo, seu instinto animal é maior que ele"
(Kol hagadol mehavero, itsro gadol mimeno)". "Desde que o templo
foi destruído, o'gosto' dos mundos BYA (Briya, Yetsira, Assiya) foi
deixado para os que trabalham o Criador ". Isso quer dizer o mais
baixo do animal fica só para os que trabalham o Criador. Quem abre
este canal, o sexto sentido, principalmente nele os cinco sentidos
trabalham muito muito forte, só que ele os sentem de forma que tem
um objetivo de 'ajuda em contra a ele' (keezer kenegdo), que
realmente ajuda.
O sofrimento ajuda
no desenvolvimento da alma?
O que que eu posso
te dizer é que existem milhões de pessoas que sofrem, toda a África
está morrendo de fome e isso não leva os africanos a se ocuparem com
o desenvolvimento da alma. Por outro lado, nos países mais
desenvolvidos o percentual de suicídio é o mais alto, maior do que
entre os africanos. Onde se usa mais as drogas? Na Europa. Esses que
não tem o que comer, os mesmos que cultivam as drogas e não as usam,
vivem na pobreza.
Por isso o
sofrimento. Como está escrito: "o sofrimento nos lembra do corpo". O
corpo, quer dizer, o desejo de receber, não é o sofrimento que a
gente sente na falta de prazeres materiais. E sim sofrimento de
amor, da falta de espiritualidade. Então, esse sofrimento nos dá
refinamento, nos aproxima da espiritualidade e só isso.
E, de novo, a Cabalá
é contra o sofrimento. A pessoa na Sabedoria da Cabalá tem que
caminhar com sabedoria, tendo prazer a cada instante. Senão, ele
renega o Criador e não O justifica. Senão, ele não interpreta
corretamente a situação na qual se encontra. Todas as situações
ocorrem para nos corrigir e nos levar a uma situação ainda mais
espiritual, ainda mais alta. Nunca nos encontramos em situação de
não-desenvolvimento. A todo dia, a todo momento, a gente se
desenvolve, apesar de tudo. A pessoa que não sente isso, apesar de
tudo, tem que entender um pouco, pensar nisso, é realmente assim.
Quem se deixa levar
pelo sentimento de sofrimento e não quer sair dele, ou até gosta
dele, está coberto por uma espécie de casca (clipá). Essas
são as forças que realmente páram a pessoa e até a rebaixam de certa
forma. Deve-se lutar contra isso. Esse é um grande problema para
principiantes, que começam a sentir o quão pequenos são, o quão
longe estão da santidade, o quanto não possuem o que desejam. E
ainda estão no egoísmo, na vontade egoísta de receber. "Não tenho,
não tenho, não tenho!", pensam, e se desesperam. Isso é o contrário
do que deveria ser.
A evolução, o
desenvolvimento de verdade, depende de o homem abrir diante de si a
possibilidade de traçar o caminho com a condição de cultivar a
alegria. Numa carta, Baal HaSulam escreve que o homem tem que
estar alegre 23 horas e meia por dia e só pensar sobre sua condição
na meia hora restante.
Você falou antes
sobre esse negócio de sistema moral que opera sobre "o povão". A
minha pergunta é: é possível hoje, na situação mundial em que nós
nos encontramos, abrir o mundo inteiro e se comportar de acordo com
o "tudo é permitido"?
Sua pergunta é como
educar a geração que vai passar do sistema da moral para o sistema
da Cabalá, para o desenvolvimento de acordo com a natureza? Não sei
a resposta. Nós não sabemos, nem mesmo eu, como educar crianças.
Tenho várias idéias sobre o assunto, mas estou longe de ser o maior
dos cabalistas. Não vou escrever livros sobre educação espiritual.
Sei qual é o meu lugar.
Para nossa tristeza,
ainda não recebemos dos Grandes, dos de Cima, nenhum sistema de como
acessar crianças. Na realidade, o Grande Rabino Eliahu de Vilna
escreveu há 300 ou 400 anos que, a partir dos nove anos de idade já
se pode começar a aprender Cabalá. Segundo ele, não há nada mais
natural para o homem do que saber que existe mais e mais ao seu
redor, e que ele pode aprender e crescer. Crianças se perguntam
desde cedo "quem sou eu?", "o que sou eu?", "por que existo?". Aos
poucos, no entanto, elas esquecem dessas perguntas ao lidarem com os
problemas do dia a dia.
Mas, apesar de tudo,
ainda não existe nenhum sistema. Da mesma forma que ainda não há um
sistema de como acessar toda uma nação que ainda não sinta falta de
desenvolvimento espiritual, que ainda esteja lidando com assuntos de
antes. Então, estudamos e, através disso, ajudamos a despertar toda
a nação. Pego o Rabino como exemplo. Gosto de aprender através de
exemplos e este é um dos bons, que aconteceu de verdade, na minha
frente.
Quando eu levava a
ele estudantes de Tel Aviv, rapazes não religiosos, tinha alguns que
o Rabino não queria receber. Ele me pedia que, se possível, não os
trouxesse mais. Havia outros, no entanto, que ele deixava que
ficassem, já que, por estarem ali, eles se desenvolveriam. Mesmo que
ainda não tivessem desenvolvido o ponto no coração, eles estariam lá
como parte de um grupo. Esses rapazes compareciam juntos, saíam para
bares juntos, e para se divertir. E de repente em alguns deles, se
acendia a vontade de desenvolver a espiritualidade. Eles traziam
outros consigo, e assim muitos chegavam, grupos de verdade.
Percebemos que esse tipo de fenômeno era vantajoso, porque muitos
colegas compareciam sem saber para quê, só porque "se Itsik está
aqui, eu também quero estar". Como se aquilo fosse um encontro num
clube. Começamos a perceber que alguns desses colegas acabavam se
desenvolvendo de verdade, ultrapassando o estágio de desenvolvimento
do tal "Itsik", e indo mais adiante.
Não sabemos quais os
caminhos da alma, como ela evolui e em que ritmo. Ela pode, de
repente, dar um salto, como vi acontecer comigo mesmo. Ou pode
acontecer exatamente o contrário. Tenho vários exemplos de pessoas
que eram tão puras e abertas, entendiam rapidamente, descubriam
tantas coisas, eram tão avançados na compreensão da matéria que eu
tinha inveja delas. E, de repente, começaram a definhar, secar e
abdicar. E, se não abdicaram totalmente, passaram a viver dentro da
Cabalá apenas formalmente. Por isso, não se pode saber
antecipadamente. Não se pode saber o quanto uma pessoa vai evoluir
ou o quanto não vai e onde estarão seus obstáculos. Nesse caso, cada
alma é realmente diferente. Mesmo que ele ainda seja pequeno, você
não tem como dizer nada. Assim como, apenas olhando, não se pode
predizer nada sobre o caminho de uma outra pessoa na vida. Assim é. |