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1. Qual é o propósito da Kabbalah?
Resposta: O único propósito da Kabbalah é guiar o homem para seu
progresso espiritual e mostrar-lhe como orientar sua direção para o
Criador.
2. A Kabbalah é útil para curar ou proteger contra o mal?
Resposta: A Kabbalah não oferece ajuda àqueles que tentam adaptar as
forças espirituais a seus próprios fins. Algumas pessoas têm a
expectativa de fazer truques de conjuração, praticar curas ou obter
proteção através da Kabbalah, no lugar de procurarem trabalhar sobre
seus próprios íntimos de modo a aprender a doar sem esperar nada em
troca. Mas a Kabbalah não tem nada a ver com esses truques e
milagres.
3. A Kabbalah pode ser utilizada para adivinhação ou previsão do
futuro?
Resposta: A Torah proíbe os adivinhos, magos e mágicos porque eles
desanimam o homem de fazer aquilo que ele precisa fazer neste mundo,
que é se estruturar e ascender rumo ao nível do Criador. O homem não
deve tentar escapar daquilo que o Criador lhe dá, escapar daquilo a
que ele está destinado, pois o seu desempenho de uma atividade neste
mundo é o próprio processo que o capacita a trabalhar sobre si
mesmo, corrigir-se e desenvolver espiritualidade. Se fosse
necessário ao homem saber o que é que o próximo momento lhe reserva,
ele o saberi8a. O futuro torna-se perceptível para ele somente
quando o desejo de conhecê-lo não é mais motivado por motivos
egoístas.
4. Kabbalah é uma ciência oculta?
Resposta: Aqueles que promovem ciências ocultas têm um conhecimento
limitado de Kabbalah. Eles usam o que eles aprenderam para dar
suporte e enriquecer suas próprias teorias. Nós insistimos na
necessidade de estudar apenas as fontes primárias, autênticas, como
a Torah, o Zohar, os escritos do ARI, Yehuda Ashlag e Baruch Ashlag.
5. Qual é a conexão entre a Kabbalah e a parapsicologia?
Resposta: Não há conexão alguma entre Kabbalah e parapsicologia. Os
experimentos que o homem conduz nunca o levarão acima dos limites da
psicologia convencional.
6. A Kabbalah pode nos ajudar a fazer contato com OVNIS ou seres
de outros mundos?
Resposta: A Kabbalah não menciona formas de vida em outros lugares,
tais como OVNIs e seres de outros mundos. O homem adoraria encontrar
outros seres neste universo. Mas a Kabbalah lida somente com
encontrar nosso caminho para o Criador. Além de nós, nós somente
podemos encontrar o Criador.
7. A Kabbalah é uma espécie de meditação?
Resposta: A Kabbalah ensina ao homem como orientar sua intenção na
direção do Criador em todos os momentos, apesar do fluxo incessante
de pensamentos e desejos que o acometem. A intenção é um receptáculo
que capacita o homem a sentir o Criador. Isso não tem nada a ver com
meditação.
8. Quem pode nos falar sobre os mundos espirituais?
Resposta: Somente aquele que possua qualidades não terrenas pode
julgar o não terreno. Se ele possui ao mesmo tempo, qualidades
terrenas, então ele pode ao menos descrever para nós o não terreno.
Tal pessoa somente pode ser um Kabbalista – uma pessoa de nosso
mundo, criada com as mesmas qualidades que cada um de nós e ao mesmo
tempo, dotada pelos céus de outras qualidades que o capacitam a nos
contar sobre o que está acontecendo nesse outro mundo.
9. O Kabbalista tem permissão para nos falar dos mundos
superiores?
Resposta: O Criador permitiu a alguns Kabalistas que revelassem seu
conhecimento para um extrato da sociedade, de modo a ajudar os
outros a que se comunicassem com Ele. Os Kabbalistas nos explicam em
termos que nós podemos compreender que a estrutura e o funcionamento
da mente no mundo espiritual, não terreno, são baseados em leis que
são contrárias às nossas.
10. A lei básica do mundo espiritual é o absoluto altruísmo. Como
o homem pode adquirir essa qualidade?
Resposta: Os Kabbalistas sugerem que nós façamos uma transformação
interior. Somente esse ato interno capacita o homem a perceber o
mundo espiritual e começar a viver em ambos os mundos
simultaneamente. Esse ato é chamado “fé acima da razão”.
11. O que é “fé dentro da razão”?
Resposta: Em nosso mundo nós somos guiados apenas por nossa razão em
tudo o que fazemos. Somente a razão, isto é, o cálculo puramente
egocêntrico, “razoável”, constitui a base de todos os nossos desejos
e atos. Nossa razão calcula a quantidade de prazer que nós
experimentamos, compara isso com a quantidade de dor causada pelos
esforços feitos para atingir esse prazer, subtrai um do outro e
produz o desejo resultante: esforçar-se pelo prazer ou preferir a
tranqüilidade. Essa espécie de aproximação “razoável” de nosso
ambiente é chamada “fé dentro da razão”, pois é quando a razão
determina a fé.
12. O que é “fé abaixo da razão”?
Resposta: Freqüentemente o homem age sem fazer nenhum cálculo do
benefício de seu esforço, como por exemplo, uma pessoa fanática, ou
condicionada a agir de determinada forma. Tais atos “cegos” são
chamados “fé abaixo da razão”, porque eles são determinados pela
obediência cega a decisões tomadas por outra pessoa, em vez da razão
ou do cálculo. Ou então, o homem age segundo sua educação, que se
tornou sua segunda natureza, numa extensão tal, que ele precisa
fazer um esforço para evitar agir do modo como foi condicionado, e
assim agir automaticamente, por força do hábito. Cada um de nós faz
muitas coisas por uma razão similar.
13. Quais são as condições que precisam ser preenchidas pelo homem
de modo a que ele adquira qualidades altruístas?
Resposta: A transição do viver de acordo com as leis de nosso mundo,
para o viver de acordo com as leis do mundo espiritual, requer que
duas condições estejam presentes. Rejeitando completamente os
argumentos da razão, o homem se encontra, como estava, despojado das
bases para suas ações, carente de qualquer apoio. Como se estivesse
suspenso no ar, ele agarra o Criador com ambas as mãos e assim,
somente o Criador determinará suas ações. Por assim dizer, o homem
substitui sua própria mente pela do Criador; age contrariamente à
sua razão, e coloca a vontade do Criador acima da sua própria. É por
isso que seu comportamento é chamado “fé acima da razão”. Tendo
cumprido isto, o homem começa a perceber a ambos os mundos, o nosso
e o espiritual, e descobre que ambos funcionam de acordo com a mesma
lei espiritual da “fé acima da razão”.
14. O que é um vaso espiritual?
Resposta: O desejo, por parte do homem, de suprimir sua razão e de
ser guiado somente por seu desejo de doar para o Criador é o vaso
espiritual no qual ele recebe todas as sensações e compreensões
espirituais. A “capacidade” desse vaso, isto é, a capacidade da
razão espiritual do homem, é determinada pela capacidade de sua
razão terrena, egocêntrica, que ele está tentando suprimir.
15. Como o vaso pode ser aumentado?
Resposta: Para aumentar a capacidade do vaso espiritual do homem, o
Criador lhe envia constantemente obstáculos cada vez maiores, no
caminho da “fé acima da razão”, intensificando gradualmente seus
desejos egocêntricos e suas dúvidas sobre o domínio do Criador. Isso
permite ao homem que vença gradualmente esses obstáculos,
desenvolvendo assim mais e mais poderosos desejos altruístas,
aumentando a capacidade de seu vaso espiritual e percebendo cada vez
melhor o Criador no mundo de sua semelhança com Ele.
16. Conhecimento e inteligência tornam mais fácil o caminho da fé
acima da razão?
Resposta: Todos os sofrimentos do homem estão ligados ao fato de que
ele é compelido pelo Alto a rejeitar completamente todo o senso
comum e a proceder cegamente, colocando a fé acima da razão.
Quanto mais razão e conhecimento ele possua, quanto mais forte e
mais inteligente ele seja, mais difícil será para ele percorrer o
caminho da fé, e correspondentemente, mais ele sofrerá por conta de
rejeitar o senso comum.
17. Uma vez que o homem tenha escolhido o caminho do
desenvolvimento espiritual, ele passa a aceitar tudo aquilo pelo que
esteja passando?
Resposta: De modo algum aquele que escolheu esse caminho particular
do desenvolvimento espiritual, pode concordar com o Criador. Em seu
coração ele amaldiçoa a necessidade de tal caminho, e nem por
auto-persuasão ele consegue justificar o Criador. E ele não consegue
suportar a condição de não ter apoio de nenhuma espécie, até que o
Criador o ajude e lhe revele o inteiro quadro da criação.
18. Qual é a melhor época para o homem entender a parte oculta do
caminho para a espiritualidade (Kabbalah)?
Resposta: Quando o homem sente que ele está em um estado de elevação
espiritual, e que todos os seus desejos estão focalizados somente no
Criador, este é o melhor momento para se aprofundar nos livros
corretos sobre Kabbalah, de modo a tentar compreender seu
significado interno. Embora ele possa sentir que não consegue
entender nada, apesar de seus esforços, mesmo assim é preciso que
ele se aprofunde na Kabbalah de novo e de novo, centenas de vezes, e
não se renda ao desespero diante de sua falha em compreender.
O significado dessas tentativas reside no fato de que os esforços do
homem para compreender os mistérios da Torah são sua prece para que
o Criador Se revele a ele por Suas manifestações, para que o Criador
satisfaça seus anseios. A força da prece é determinada pela força
desses anseios.
19. Como o homem pode alcançar um estado de prece?
Resposta: Há uma regra: o esforço despendido em atingir alguma coisa
aumenta o desejo para atingir essa coisa, e a força desse desejo é
determinada pelo sofrimento causado pela indisponibilidade daquilo
que desejamos. A prece é o próprio sofrimento, não expresso em
palavras mas apenas sentido no coração. Partindo daí, podemos
entender que somente após extenuantes esforços para atingid o que é
desejado o homem pode rezar tão sinceramente, que receba o que
pediu.
20. O que o homem precisa fazer para que sua prece seja aceita
pelo Criador?
Resposta: Para que o Criador ouça a prece, ela precisa vir do
próprio coração dos corações, isto é, todos os desejos da pessoa
precisam estar concentrados nessa prece. E é por isso que é preciso
se aprofundar nos textos centenas de vezes, mesmo sem entender nada,
até atingir um verdadeiro desejo, de modo que o Criador possa
ouvi-lo.
21. O que é um verdadeiro desejo?
Resposta: Um verdadeiro desejo é aquele que não deixa espaço para
nenhum outro desejo.
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