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"Cabala Revelada" Episódio 12: A Diferença Entre Cabala e Religião

Episódio 12

 Descrição

Anthony Kosinec apresenta o processo de transformação gradual por que cada um de nós passa em todos os momentos de nossa vida; como nós estamos sendo encaminhados para o fim deste processo, descoberto pelos Cabalistas; as vantagens de se utilizar o método desenvolvido pelos Cabalistas para acelerar este processo (o caminho da Torah e Mitzvot) e as desvantagens em não utilizá-lo (o Caminho do Sofrimento).

Transcrição

Cabala Revelada #12
A Diferença entre Cabala e a Religião

Palestra feita por Tony Kosinec para o canal americano Shalom TV
Anthony Kosinec

Olá e bem vindo a Cabala Revelada. Eu sou Tony Kosinec.

Porque a Cabala lida com a conexão que uma pessoa tem com as forças superiores, com o espiritual, o Criador, ela é geralmente considerada como sendo uma religião. Ela não é uma religião, mas está associada dessa forma porque as pessoas religiosas acreditam na existência do Criador. Elas têm um tipo de relacionamento com o Criador através da oração e também fazem coisas, ações, que elas sentem, que sua tradição lhes assegura que o Criador exige delas e, fazendo essas coisas, uma relação de proximidade é construída no contexto da religião.

Se elas têm tudo isso - um relacionamento, a existência do Criador, ações para aproximá-los - bem, o que mais poderia haver? Bom, na verdade, não há mais que isso. Há apenas uma questão sobre como isso é feito, o paradigma em que isso ocorre.

Cabala não é uma religião, é um método, é realmente uma Ciência. É uma forma de estabelecer uma relação direta com o Criador. Ela usa componentes similares aos da abordagem religiosa, mas o seu paradigma é completamente diferente.

A diferença está em saber se a pessoa se aproxima destes mesmos elementos com um propósito de internalidade ou externalidade. A Cabala descreve um processo que é considerado como internalidade. A diferença entre os dois é extremamente marcante, e se você pegar a abordagem do paradigma da Cabala e aplicá-la a esses mesmos elementos da religião, às mesmas ações, você pode ter uma experiência completamente diferente, uma ligação direta com a Força Superior, e uma compreensão melhorada e a realização, não só dos prazeres da vida, mas da realidade da mente do Criador. Este é um relacionamento real.

Vamos dar uma olhada no que é esta diferença e o que é que que uma pessoa pode fazer com esses elementos, a fim de atingir este tipo de relacionamento.

Vamos ler um artigo escrito por Rav. Michael Laitman chamado “A diferença entre a Kabbalah e Religião”. Neste artigo, ele aponta a diferença exata. É um detalhe pequeno, mas seu discernimento muda completamente a vida de uma pessoa. Ele diz:

"A religião pressupõe que o Criador muda a Sua atitude para com uma pessoa dependendo das ações dela. A ciência da Cabala, no entanto, afirma que a Força Superior é invariável, e que as ações de uma pessoa de nenhuma maneira poderão afetá-la. Em vez disso, as ações da pessoa podem mudá-la, a si própria. Ela será capaz de perceber a Regência Superior de um jeito diferente, se suas próprias mudanças visarem a uma maior semelhança. Ela será capaz de perceber o Criador, como amável e bom. Ao aumentar a diferença entre suas propriedades (recepção) e as do Criador (outorga), ela vai sentir a atitude do Criador como mais negativa".

Quando focamos no lugar onde vivemos, no ambiente que nos rodeia, podemos ver que somos completamente dependentes dele. Ele pode fazer qualquer coisa que quiser para nós.

Existem forças enormes lá fora, que nós tentamos entender. Nós tentamos aprender sobre elas através da Ciência, e na medida em que podemos controlá-las, o fazemos - e fazemos tudo o que podemos para controlá-las - porque elas são impressionantes. E, quando percebemos que não podemos controlá-las, então nós tentamos investir numa outra abordagem, tentamos fazer um acordo com elas. Pedimos por coisas que venham delas. Fazemos alguns tipos de sacrifícios. Nós tentamos tomar as ações que achamos que surtirão algum tipo de efeito sobre estas forças que não podemos controlar diretamente.

Toda essa barganha realmente representa o que poderíamos chamar de "oração", porque nos relacionamos com tudo o que vemos de acordo com a forma como entendemos as coisas, e nós acreditamos que a Natureza responde ao que fazemos. Isto é, se fizermos algo agradável para uma pessoa, essa pessoa provavelmente irá fazer algo de bom para nós. Esta é a forma como vemos as coisas de nossa natureza. Esta é uma qualidade do nosso egoísmo e, por isso, olhamos para as leis da Natureza que não entendemos e supomos que elas também agem egoisticamente, que se eu fizer algo de bom para ela, ela vai fazer algo de bom para mim. Isso acontece porque nós somos egoístas e tudo o que vemos nos aparece sob essa forma. Assim, nos vamos tentando melhorar as situações em nossas vidas e as condições contra as grandes forças, sendo agradável com as pessoas, fazendo alguma coisa em termos de caridade ou ajudando animais, ou algo com a sociedade, e realizando sacrifícios pessoais. A esperança é de que teremos uma boa atitude de volta para nós a partir dessas incríveis forças ocultas.

Há muitas expressões no texto cabalístico que indicam a invariância da atitude do Criador para com os seres criados: "Eu não mudo Meu Nome" ( "Ani HaVaYa lo Shiniti"), "Ele é bom e oferece o bem a Suas criaturas, boas e ruins ( "Tov ve Metiv le le Tovim Raim u"), "a Luz Superior é absolutamente estática" ( "Ohr Elion Nimzta ser Menucha Muchletet").

Tenho certeza de que você já viu estas expressões nas escrituras e em orações e elas parecem realmente misteriosas - mas o que isso quer dizer?

Isso quer dizer que a qualidade do Criador, esta qualidade de doação, não é algo que muda, não é algo que podemos pedir para mudar, e ela sempre funciona exatamente da mesma maneira, sempre fazendo exatamente a mesma coisa. Assim se chama "a Luz que está em repouso". Esse é também o significado do Shabat. O Shabat é considerado a maior ligação com o estado mais alto que um homem pode alcançar neste mundo, e acima deste mundo, uma conexão com o mundo de Atzilut. E este é considerado um estado de repouso.

O que significa "descanso"? A Luz está em repouso porque tem uma qualidade que nunca se altera. Ela está sempre criando e cuidando de toda a criação. É uma atitude constante de amor todo-abrangente.
Os Cabalistas que abandonaram sua natureza, sua natureza egoísta, a sua natureza inferior, e que penetraram no mundo espiritual, nos falam sobre essa qualidade de constância na Luz Superior e eles nos dizem que a Natureza funciona através de uma ideia completamente oposta à que temos quando tentamos fazer acordos com ela.

Vemos que a Força Superior é aquela que não muda, nem precisa mudar, porque se ela é constante, se outorga, não pode ser outorgada vezes sim e outras vezes não, porque isso não é outorga. Então, ela ou é uma Força Superior ou não é uma Força Superior e se, como todas as religiões dizem, o Criador é bom, mas não conseguimos aceitar que Ele é assim, então o problema é realmente conosco e não com a Força superior.

Portanto, uma oração é chamada de auto-julgamento ou de auto-análise. Isto acontece quando uma pessoa não apela para o Criador, mas julga-se ao invés disso, e analisa-se a respeito da Invariável Força Superior... À medida que a pessoa muda, ela se corrige em relação ao Criador Invariável e Absoluto.

Esta atitude em relação a si próprio e ao Criador constitui a diferença entre a Cabala e religião. Ainda que a religião clame por certas mudanças pessoais, ela baseia-se na súplica ao Criador. Neste mundo as religiões são semelhantes às mais antigas crenças, que extensivamente praticam suborno contra as Forças Superiores da Natureza.

Então, se nós não podemos suborná-Lo, como devemos orar? Como podemos chamar Sua atenção? Precisamos pedir a Ele para mudar-nos de tal forma que possamos compreendê-Lo. Precisamos mudar nossos instrumentos de percepção e não pedir que o Criador mude sua atitude em relação a nós.

Sabemos disso por causa do legado que os Cabalistas trouxeram até nós, porque ele não é algo que foi criado a partir de nossa natureza, mas partiu de pessoas que abandonaram o aspecto da natureza e nos trouxeram essa idéia nos livros da Cabala; e é claro que a Torá e nossas outras escrituras fazem parte da Cabala, e é por isso que dizemos que estas são as palavras de Deus, porque elas vêm do nível acima da natureza do homem. E elas estão nos dizendo para tomarmos uma atitude completamente diferente, no sentido oposto ao que nós rogamos em nosso processo de desenvolvimento. E é por isso que se diz que a regra da Torá é oposta à regra dos donos da terra. "Torah" é a Luz Superior; "Donos da Terra" é a nossa natureza, nossa natureza egoísta.

No artigo ele diz:

A convicção na mudança de atitude do Criador para com a pessoa leva à inveja: quem é tratado pelo Criador com mais amor e quem é mais "divinamente escolhido"? Isso provoca o surgimento de antagonismo, não só entre as pessoas, mas também entre as religiões. Os representantes de vários credos disputam quais orações o Criador está inclinado a responder com mais disposição.

Vamos estudar esse paradigma, essa diferença entre Cabala e religião desta forma:

[Tony desenha]

Vemos que na religião temos pessoas neste mundo que acreditam em uma Força Superior, o Criador. Há acontecimentos ou forças, situações que são enviadas ao povo por esta Força Superior. A Força Superior é responsável por tudo nesta concepção. Estes eventos são sentidos tanto como eventos positivos quanto negativos pelas pessoas neste mundo.

Quando uma pessoa sente um destes eventos como negativo, então ela começa a agir como é explicado a ela pela abordagem religiosa. Ela vai fazer ações que estão determinadas a provocar um efeito sobre a situação superior aqui, para mudar essa experiência de negativa para positiva. Então, ela vai fazer atos de caridade, vai fazer ações de auto-sacrifício, irá fazer coisas em sua comunidade, tudo com o objetivo de provocar um efeito aqui, para obter um bom resultado.

E ela também irá fazer um pedido chamado "oração". Dependendo da misericórdia do Senhor, que ela vê como expressa na variância do que ele acredita que acontece aqui [Tony refere-se ao desenho], na atitude do Criador. Em outras palavras, o Criador é incoerente, às vezes ele vai fazer uma coisa boa para mim, às vezes, Ele vai fazer uma coisa ruim para mim. Nesta combinação de ações que são tomadas e neste rogar, haverá uma influência para que em, vez de obter esse resultado ruim ou má atitude do Criador, isso seja alterado através dessas ações de uma forma positiva, na experiência da pessoa que faz o pedido.

Logo, isso significa que a percepção que a pessoa têm do Criador, mais a atitude do Criador, são completamente incoerentes; elas são variáveis - ela pode tanto ser positiva quanto negativa. E aqui, realmente, o homem não descobre nada sobre a verdadeira natureza do Criador, porque ele está operando todo o sistema baseado em um princípio que rege o que existe para ele aqui [Tony desenha], que é a única boa experiência. Mas isso é "bom" em termos de definição deste princípio orientador, que é o egoísmo.

Isto é, "eu não quero que as coisas mudem aqui. Eu não quero sentir nada ruim que venha do Criador, por isso quero que minha situação permaneça a mesma, e eu quero que a atitude do Criador mude à minha volta, enquanto eu recebo uma situação boa e confortável através desta definição"; não apenas para mim. Quero dizer, talvez a pessoa não aja externamente, aparentemente, como um egoísta, talvez ela não esteja tentando agir como egoísta, ela podem estar preocupada com a sua família, com sua nação, com o ecossistema, mas ainda assim o que ela está tentando fazer é usar o Criador para mudar uma atitude que é considerada ruim.

No paradigma Cabalístico temos exatamente os mesmos elementos:
Nós temos um Criador, temos pessoas no mundo, e temos eventos que afetam o povo. Alguns destes acontecimentos são sentidos pelo Cabalista como positivos ou negativos. Agora, porque o Cabalista já começa a partir do princípio de que tudo o que ocorre é realmente bom - todas as ações do Criador não mudam, elas são sempre boas -, portanto, todos os eventos que estão ocorrendo na vida da pessoa também são bons; e onde é o lugar em que a pessoa pode apelar para a graça, como neste lugar aqui [Tony refere-se ao desenho], onde a pessoa religiosa pode pedir um bom resultado, em que o Criador deveria mostrar Sua graça para eles?

O ponto de variância e o ponto de invariância são completamente diferentes nesses dois paradigmas. Aqui [Tony refere-se ao desenho] encontramos o Criador e todas essas forças são invariáveis; aqui [Tony refere-se ao desenho] nós achamos que a atitude da pessoa é invariável. A pessoa não muda, não cresce.

O Criador, sendo invariável, e as forças do Criador sendo invariáveis, significa que o único lugar de variação está na atitude das próprias pessoas. Elas são mais ou menos capazes de sentir o efeito da bondade por trás de cada um desses eventos que o Criador lhes envia. E porque a oração que o Cabalista faz é uma oração para entender tanto a invariabilidade dos acontecimentos como o próprio pensamento por trás deles, ela atua por um princípio regente completamente diferente. Este princípio regente é o Pensamento da Criação, que determina o porquê de tudo o que acontece ser bom. Assim, a pessoa está continuamente elaborando um pedido no sentido de compreender o quão tudo aqui é bom, e como resultado, ela própria cresce na sua compreensão ao ver como cada evento aparentemente ocorrido, parecendo bom ou mau, na verdade, é apenas uma outra expressão da intenção invariavelmente boa que vem do Criador. Então, como resultado desta atitude, a pessoa passa a se conhecer intimamente. Isto é, o homem muda, o homem cresce, e esta é uma dinâmica constante, enquanto que aqui [Tony refere-se ao desenho], é uma inatividade constante.

Em outras palavras, isso é chamado pelos Cabalistas de "A Quietude Santa, "A Calma Sagrada", não porque está desconectada do Santo ou do Sagrado, mas porque ela não tem vontade de realmente mudar. Então, sua oração não muda a realidade da pessoa. Esta oração dá a uma pessoa apenas... ela é um tipo de truque psicológico que nos dá uma espécie de paz de espírito que diz, "está tudo bem", quer eu entenda ou não entenda realmente como as leis da natureza atuam ou qual é a atitude real do Criador. Isso permite com que me sinta confortável para dizer "tudo vai dar certo no futuro, em outro mundo, em outra vida, e por favor, não mude nada em minha volta, mas Você vai me servir, porque o mundo foi feito para o homem".

Sim, o mundo foi feito para o homem, mas o mundo foi feito para erguer o homem através de todos os mundos diferentes, até que o homem alcançasse aquilo que o Criador quis para ele, ou seja, a equivalência com o Criador.

E é só porque os Cabalistas têm utilizado este método e atingiram esse nível que eles foram capazes de nos dar as escrituras e as instruções que agora lemos através deste ponto de vista egoísta.

Este é o verdadeiro significado de seu legado para nós, e esta é a maneira através da qual nós podemos alcançar as mesmas coisas que encontramos nas escrituras.

No entanto, o Criador não ouve as palavras que nós proferimos, mas em vez disso, lê os sentimentos em nossos corações. Portanto, não faz sentido gastar tempo e energia proferindo frases bonitas que não têm nenhum significado profundo vindo do coração. A única coisa que se exige de nós é que nos esforcemos em direção ao Criador com todo o nosso ser, entendamos a essência de nossos desejos e peçamos ao Criador para alterá-los. E mais importante: nunca devemos parar de nos comunicar com o Criador .*

Junte-se a nós novamente.

* P. 88 de Laitman, Michael. Attaining the Worlds Beyond. Laitman Kabbalah Publishers: Toronto, 2003.