Kabbalah.info - Kabbalah Education and Research Institute

"Cabala Revelada" Episódio 8: Não Há Ninguém Além do Criador, Parte 1

 Descrição

Não Há Ninguém Além do Criador é um artigo que resume toda a metodologia da Cabala. Leia este artigo e deixe-o guiar a viagem ao seu mundo interior, a caminho da descoberta da única força atuante na realidade.

Transcrição

Cabala Revelada #8:
Não Há Ninguém Além do Criador, Parte 1

Palestra feita para o canal de televisão americano, Shalom TV
Anthony Kosinec

Olá e bem vindo à Cabala Revelada. Eu sou Tony Kosinec.

Nesta lição nós vamos analisar um artigo Cabalístico, algo que nós já vimos algumas lições atrás, mas nós vamos vê-lo mais detalhadamente. É um artigo chamado Não Há Ninguém Além do Criador. Este artigo vem de um livro chamado Shamati. (Shamati significa “Eu ouvi”). Estes artigos eram lições pronunciadas por Baal HaSulam para seus alunos, e seu filho, Rabash (Rav Baruch Shalom Halevi Ashlag), foi um dos seus alunos, e ele escreveu o que seu pai disse, e o manteve num pequeno caderno pessoal. Este caderno era algo que ele mantinha consigo o tempo todo. Ele tinha alguns livros aos quais ele se referia, e este, as direções, as instruções e as palavras do seu pai, ele mantinha perto dele.

Rav Michael Laitman, que é meu professor, e professor do Bnei Baruch, era assistente pessoal do Rav Baruch. Ele tomava conta de todos os seus afazeres e estava com ele o tempo todo. Ele foi seu discípulo direto. No momento em que se aproximava o fim da vida do Rav Baruch, Rav Laitman estava com ele. Estava com ele no hospital, durante todo o processo. Durante o tempo que ele tinha estudado com ele, Rabash tinha mostrado a ele muitos textos que ele não tinha visto antes e que não tinham sido compartilhados com alguns dos outros alunos, e o Rav estava ciente deste caderno – ele o tinha visto e o pegado emprestado para estudar e assim por diante. Era algo muito valioso.

Quando o Rabash estava no seu leito de morte, ele deu este livro a Rav Laitman. Michael Laitman publicou o livro, e ele contém belos artigos que descrevem o trabalho interior de uma pessoa. Muito do trabalho na Cabala é trabalho técnico – O Estudo dos Dez Sefirot (Talmud Eser Sefirot), e outros trabalhos técnicos, A Àrvore da Vida e O Zohar, que lidam com os aspectos técnicos da criação, assim como os estados interiores relacionados a eles. Estes artigos, o livro Shamati, são especificamente feitos para o estudante encontrar a si mesmo, para identificar estados interiores e conectar estes estados interiores ao trabalho técnico e ao trabalho Cabalístico como um todo. Eles contêm o pensamento do mais alto nível da realidade.

Este artigo em particular, Não Há Ninguém Além do Criador, resume toda a metodologia da Cabala. Não há nada que a pessoa precise fazer ou saber ou considerar que não esteja neste artigo. O Rabash disse ao Rav Laitman que seria bom que ele lesse isto centenas de vezes. Nós vamos ler uma vez hoje talvez se nós conseguirmos chegar até ao final. Enquanto o fazemos, de novo, nós somente estamos fazendo isto para atrair a Luz Superior, e tudo o que você precisa fazer enquanto nós o percorremos é tentar conectar-se ao pensamento e ao sentimento do autor.

Não Há Ninguém Além do Criador

Está escrito que "não há ninguém além do Criador", o que significa que não há nenhum poder no mundo capaz de fazer alguma coisa contra Sua Vontade. E se o homem vê que há coisas neste mundo, que negam o domínio do Alto, é porque Ele quer assim.

Em outras palavras, existe apenas um poder, uma força ativa, existe apenas um protagonista na realidade. Não há nenhuma outra autoridade, não há nenhum outro autor para nada que ocorre na realidade, mas o fato de que nós vemos que o mundo é estruturado de tal forma que parece haver uma força oposta, bem isto é feito de propósito e para o nosso bem. Isto precisa ser controlado; isto precisa ser entendido, e precisa ser incluído na nossa percepção.

E considera-se uma correção, chamada "a esquerda rejeita e a direita acrescenta", significando que aquilo que o lado esquerdo rejeita é considerado uma correção. Isso significa que há coisas no mundo, que por princípio estão destinadas a desviar a pessoa do caminho correto, e mantê-la distanciada da santidade.

A ocultação do Criador não é uma ocultação física. Nós sentimos que talvez ele não exista, ou talvez “eu creio n’Ele,” mas a prova para isso – nós na verdade não alegamos isso como se Ele fosse visto de pé na nossa frente – nós já sabemos disso. Nós sabemos que nós não estamos falando de uma prova física, de uma realidade física. A ocultação do Criador ocorre não só em relação aos nossos sentidos físicos, Ele está oculto da nossa sensação interior, nosso sentimento de conexão, nossa fé, nossa sensação direta nos nossos pensamentos. Ele se oculta de nós através das nossas dúvidas. Há uma qualidade do nosso estado interior, que quando estamos cheios de dúvida, há então uma rejeição; ou seja, há uma ocultação. Nós sentimos que as coisas não podem ser assim e que deve haver alguma força. Nesta sensação, neste estado interior de ocultação, onde a razão para as coisas, ou sentir que pode haver algum tipo de Orientação Divina por trás de qualquer coisa, as nossas dúvidas encobrem isso completamente. Esta é a ocultação do Criador e este é o Seu método de nos ensinar e de nos trazer consigo.

Isso significa que há coisas no mundo, que por princípio estão destinadas a desviar a pessoa do caminho correto, e mantê-la distanciada da santidade.

Isto foi feito desta forma; isto faz parte do projeto, esta ocultação do Criador e esta evolução para o desejo de perceber o Criador.

O benefício dessas rejeições é que através delas a pessoa recebe a real necessidade e um completo desejo pela ajuda de Deus, pois vê que de outra forma está perdida.

Esta necessidade é na verdade o que a Cabala define como oração. Para um Cabalista, uma oração não são palavras faladas. Não é algo da boca; não é uma repetição de coisas, palavras e idéias num livro de orações. É uma necessidade intensa. É algo que ocorre no desejo de uma pessoa o qual não pode ter nenhuma outra resposta que não seja a coisa desejada. A ocultação do Criador e esta ação da mão direita e da esquerda cria propositadamente uma necessidade específica pela proximidade ao Criador. Ou seja, para as dúvidas serem removidas, para nós nos elevarmos acima do aspecto da natureza que produz estas dúvidas. E este é o benefício. Isto é chamado de “correção”, este desenvolvimento do desejo. E o que é isso que acontece? Como este benefício é sentido por uma pessoa?

Não apenas ela não progride em seu trabalho, como vê ainda que regride, e que lhe falta a força para sequer observar a Torah e as Mitzvot, mesmo que não seja em Seu nome.

Então nós sabemos que o objetivo é ser capaz de ser como o Criador, criar uma semelhança de forma interior de intenção em relação ao Criador, o que seria outorgar sem nenhum pensamento para si, sem esta necessidade, estar completamente em outorga, o que é chamado “em Seu nome (Lishma).” Mas uma pessoa não consegue sequer chegar perto disso para que a sensação que está ensinando e evoluindo e construindo a necessidade é uma sensação de que não se consegue fazer este trabalho nem mesmo não em Seu nome, ou seja, nem por si mesmo consegue-se fazer isto. A rejeição e a dúvida são completas e isto é parte do processo, isto acontece, é uma mão e então a mão seguinte, uma mão e a outra.

Quando isto acontece com uma pessoa, isto não está acontecendo porque há algo de errado com a pessoa, isto está acontecendo porque este é o sistema e é construído dessa forma.

Porque somente se superar genuinamente todos os obstáculos, acima da razão, ela pode observar a Torah e as Mitzvot.

Esta é a situação que é construída para a pessoa – que isto não é possível através de lidar com uma dúvida e depois com algum tipo de satisfação, um deleite por sentir-se próximo. Estas duas variações sempre produzem uma ocultação, uma sensação de ocultação, e esse é o único caminho pelo qual uma pessoa pode proceder para realmente observar a Torah e Mitzvot, ou seja, tornar-se como o criador, aproximar-se e unir-se com o criador, está acima desse nível, acima da razão.

Mas nem sempre ela tem a força para ir acima da razão, porque se ocorresse o contrário, Deus proíba, ela seria forçada a se desviar do caminho do Criador, e não agir pelo Seu nome. A pessoa que sempre sentiu que o fragmento é maior que o total, o que significa que há mais descidas que ascensões, ela não vê uma finalidade para esses apuros, e sempre se sente excluída da santidade, porque vê que é difícil para ela observar até mesmo uma insignificância, se não agir acima da razão, mas nem sempre ela é capaz de agir assim. E qual será o fim de tudo isso?

Esta é a extensão da ocultação e da necessidade que ela evoca numa pessoa. Ela chega a uma expressão extrema. Ou seja, quanto mais a pessoa quer, quanto mais ela verdadeiramente deseja, mais parece que ela é afastada. Esta é uma reação similar à reação de um pai quanto ao filho que está começando a se tornar adulto – você dá a ele mais espaço, você dá a ele um tipo de independência, você se afasta – e a profundidade da confusão deste adolescente ou do jovem adulto é uma situação extrema e é feita por um pai afetuoso quanto ao filho, esta extremidade do distanciamento.

E qual será o fim de tudo isso? [Como isso sequer pode ser possível?] Então essa pessoa entende que ninguém pode ajudá-la, a não ser o próprio Deus. Isso faz com que ela dirija um pedido sincero ao Criador para que abra seus olhos e coração, e a aproxime da eterna adesão a Deus.

Isto é o que enfim acontece. Uma verdadeira oração aparece dentro da pessoa, que você não pode enganar o Criador, você não pode dizer uma coisa e na realidade desejar outra. Este é o tipo de oração que é respondida imediatamente porque o Criador é toda a realidade e a força do desenvolvimento responde a essas condições particulares que permitem o desenvolvimento. Ou seja, tem que haver algo na criatura que permita um estado mais alto lhe ocorra, e este estado mais alto apenas acontece como resultado do aprofundamento de uma necessidade.

Ela compreende, então, que todas as rejeições que ela experimentou vieram do Criador. Isso significa que as rejeições que ela experimentou não aconteceram por sua culpa, ou por que não era capaz de prosseguir, mas sim porque essas rejeições são para aqueles que verdadeiramente querem se aproximar de Deus. E para que essa pessoa não se satisfaça com apenas um pouco, mais precisamente, para que não permaneça como uma criança sem conhecimento, ela recebe ajuda do Alto, de modo a que não seja capaz de dizer que "graças a Deus, ela observa a Torah e pratica boas ações, e portanto, o que mais ela poderia pedir?"

Esta ação do Criador, esta rejeição que foi dada a ele, esta dúvida que entrou nele foi dada a ele pelo Criador especificamente para que ele não permaneça imóvel, para que ele não se satisfaça com alguma sensação à distância, alguma idéia, alguma crença, em outras palavras, para que ele não funcione como uma criança na realidade, “oh, existe um Deus e Ele vai tomar conta de mim, e se eu pedir algo, então talvez Ele mude Sua atitude quanto a mim e seja bom para mim e me tire desta situação.”

Este é o modo como uma criança tenta lidar e manipular um pai, mas o que uma criança pode fazer para um pai que mudaria a qualidade do amor quanto à criança? Mesmo no mundo natural, no mundo físico, o amor de uma mãe ou um pai pelo filho envolve tudo pela criança. Não há nada que mude isso. Isso é uma constante. Então, a pessoa não permanecer deste modo seria não se satisfazer com esta condição, para que esta força – tanto de atração quanto de distanciamento – nos evolua para um adulto espiritual.

Só se essa pessoa tiver um verdadeiro desejo, ela receberá ajuda do Alto.

Esta é a condição. Somente se uma pessoa tiver um verdadeiro desejo, é claro que haverá ajuda do Alto. Não é que o Criador mudou sua atitude quanto à pessoa; é que a pessoa mudou sua necessidade pelo Criador. O seu desejo, que é um vaso, abriu um lugar onde a percepção do Criador pode ocorrer, e então ocorre. Esta é a lei. Isto acontece. A resposta para a oração depende totalmente da mudança de atitude dentro da criatura.

E lhe são mostradas constantemente as suas faltas no estado presente, isto é, são-lhe enviados pensamentos e opiniões que trabalham contra seus esforços. Isto é para que ela veja que ela não está unificada a Deus.

Em outras palavras, este contraste de sentir rejeição e pensamentos de dúvida, não vêm dela. É uma ação do Criador sobre ela enquanto ela está se tornando um adulto espiritual, enquanto ela está crescendo. Especificamente, a ocultação chega e deve ser experimentada como dúvida e deve ir contra seus esforços, não importa quão claro, bom ou preciso foi o seu progresso até aquele ponto. A ocultação destrói tudo isso de propósito. E isso acontece para que ela possa ver um contraste entre onde ela está agora num estado particular, e o que ela precisa superar acima da razão, onde ela precisa estar em seguida, porque quanto satisfeito você pensa, “oh, Eu sou um com o Senhor, eu estou bem, eu tive essa percepção, eu estou ok, eu sei tudo agora, eu tenho um tipo de crença neste nível.” Não, o Criador quer criar uma criatura e satisfazê-la totalmente com uma união, com a Luz. Isto tem que ser ilimitado. Então, nós temos que ver quão diferente somos do próximo nível, para construirmos esta necessidade de novo para avançarmos para esse nível.

E quanto mais ela supera, mais percebe o quão longe da santidade ela se encontra, por comparação aos outros, que se sentem unificados a Deus. Mas essa pessoa, por outro lado, sempre tem suas queixas e exigências, e não consegue justificar o comportamento do Criador, nem o modo como Ele age com relação a ela. E isso vai lhe provocando dor, porque ela não se sente unificada ao Senhor, até que chegue a sentir que não tem participação nenhuma na santidade.

A pessoa vê a sua situação mudar. Ela não se satisfaz com as coisas que os outros à sua volta se satisfazem. Ela chega a um ponto de preparação completa, ou seja, de dúvida completa e desespero completo. Esta é uma das coisas que ocorrem. E isso é uma preparação. É um desespero quanto à meta, e não um desespero quanto à vida, quanto à vida não valer a pena, mas de acordo com a meta que determinou sua intenção de se ligar ao Criador, ela vê que isto está completamente além da sua capacidade, ou seja, a capacidade da sua natureza criada na vontade de receber, e suas ações, sua inteligência. Isto não pode ser feito desse jeito.

E embora ela seja ocasionalmente despertada pelo Alto, e isso momentaneamente a reavive, logo ela cai novamente em um abismo. Porém, é isso que lhe faz compreender que somente Deus pode ajudar e realmente atraí-la para mais perto.

Mesmo o esclarecimento, mesmo o despertar que ela recebe não vai adiantar. Isto tem que continuar ao ponto onde há uma completa necessidade somente pelo Criador, somente pela Luz. Ela tem que realmente abandonar essa idéia de que há algo que podemos fazer com nossas ações nesse mundo. Nenhuma ação feita por uma pessoa vai contribuir para isso. Somente o crescente desejo interior vai mudar alguma coisa.

A pessoa sempre deve tentar se aproximar do Criador, isto é: tentar fazer com que todos os seus pensamentos se refiram a Ele. Isso quer dizer que mesmo que ela esteja no pior estado, do qual não possa haver uma grande queda, ela não deve abandonar Seu domínio, isto é, não deve pensar que há outra autoridade que a afaste de entrar na santidade, e que tenha o poder de beneficiar ou ferir.

E essa é a essência da dúvida, de que há alguma outra razão para isto acontecer – ou sou eu ou é o mundo que está condicionado de certa forma, meu ambiente me impede – de que há algo que não o Criador fazendo todas essas ações.

Portanto a pessoa não deve pensar que é o poder do Outro Lado (sitra achrah), que não lhe permite praticar boas ações e seguir os caminhos de Deus, mas sim, que tudo isso é determinado pelo Criador. Como dizia o Baal Shem Tov, aquele que afirmar que há outro poder no mundo, isto é, “cascas”, está num estado em que "serve a outros deuses", ainda que não pense, necessariamente, em cometer o pecado da heresia; mas se ele pensa que há outra autoridade e força, que não o Criador, desse modo ele está cometendo um pecado.

Ou seja, é apenas a desistência da meta, de pensar que há outro poder que afasta a pessoa, tomar a decisão de que não é apenas uma força, de que não é tudo do Criador. Esta distância se chama “pecado”

Além disso, aquele que diz que o homem tem sua própria autoridade, ou seja, aquele que diz que ontem ele mesmo não quis seguir os caminhos de Deus, esse também se considera como tendo cometido o pecado de heresia. Isso significa que ele não acredita que somente o Criador conduz o mundo.

Todos os pensamentos que nós temos, todos os sentimentos que nós temos e todas as escolhas que fazemos até chegarmos à equivalência de forma com o Criador, até começarmos a sentir a espiritualidade, cada uma dessas coisas são colocadas em nós. Essas são todas ações do Criador. O homem não tem autoridade sobre isso. Somente o seu desejo, somente o crescimento do vaso, especificamente numa necessidade pela Luz, esta verdadeira oração é a única ação do homem e a única coisa necessária para a ascensão.

Nós continuaremos este artigo na próxima lição. Até lá.